A maioria dos bancos exige 10% a 20% do valor da casa como entrada. Numa casa de 200.000€, isso são 20.000€ a 40.000€ do teu bolso antes de pagar uma única prestação. Para muitos jovens, juntar esse dinheiro demora anos enquanto continuam a pagar renda.

A Garantia Pública do Estado resolve isso: jovens entre 18 e 35 anos podem comprar a primeira casa com financiamento até 100%, sem entrada. O Estado actua como fiador junto do banco. Em 2025 foram assinados mais de 25.000 contratos com esta garantia, 42% de todos os créditos habitação jovem. A medida é válida até 31 de Dezembro de 2026 e em Abril de 2026 o Governo aumentou o valor total disponível para 2.300 milhões de euros para responder à procura elevada.

Atenção ao timing: o envelope de garantias estava a 94% de utilização antes do reforço de Abril de 2026. Já foi reforçado duas vezes desde que a medida arrancou. Se a procura continuar ao mesmo ritmo, o limite pode esgotar antes do final do ano. Quem avançar mais cedo tem mais margem.

Exemplo para uma casa de 200.000€, jovem elegível com IMT Jovem acumulado:

Sem apoios do Estado

~27.000€

Custos iniciais

Entrada 20.000€

IMT ~3.542€

IS compra 1.600€

IS crédito 1.200€

Escritura ~800€

Com Garantia Pública + IMT Jovem

~2.000€

Custos iniciais

Entrada 20.000€

IMT ~3.542€

IS compra 1.600€

IS crédito 1.200€

Escritura ~800€

Quem pode usar a Garantia Pública?

Tens de cumprir todas estas condições

  • Entre 18 e 35 anos à data do contrato com o banco (inclusive)
  • Primeira casa própria e permanente, já construída, até 450.000€
  • Morada registada nas Finanças em Portugal e sem dívidas ao Fisco nem à Segurança Social
  • Rendimentos até 80.000€/ano por titular (8.º escalão do IRS)
  • Não és proprietário de nenhuma casa nem usaste esta garantia antes
  • Banco aderente ao programa da Garantia Pública
Se comprarem a dois: ambos têm de cumprir todos os requisitos. Se um não cumprir, nenhum pode usar a garantia nessa compra.

Bancos aderentes ao protocolo

Nem todos os bancos aderiram. Alguns dos principais confirmados até Abril de 2026:

CGD Caixa Geral de Depósitos
BCP BCP (Millennium)
SAN Santander
BPI BPI
NB Novo Banco
CTT Banco CTT
ABA ABANCA
BKI Bankinter
CA Crédito Agrícola

No total são 18 bancos no programa. Confirma sempre com o teu banco se ainda tem limite disponível, porque pode esgotar antes do final de 2026.

Documentos que precisas de reunir

Documentos específicos para a Garantia Pública

  • Cartão de Cidadão (ou título de residência equivalente)
  • Certidão de domicílio fiscal (Portal das Finanças)
  • Nota de liquidação do IRS do último ano. Se não entregaste IRS: certidão de dispensa + declaração da Segurança Social dos últimos 3 meses
  • Certidão predial negativa (prova que não és proprietário de nenhuma casa)
  • Certidão de não dívida ao Fisco e à Segurança Social
  • Declaração de responsabilidade a confirmar que é a tua primeira habitação e que nunca usaste esta garantia (modelo fornecido pelo banco)
O que não está coberto: créditos para construção de raiz, obras, terrenos ou multi-opções. A garantia aplica-se exclusivamente à compra de habitação já construída.

Ainda tens custos a pagar

A garantia elimina a entrada, não todos os custos. O que sobra:

Custo O que é Podes evitar?
IMT Imposto sobre a compra do imóvel Sim, se tiveres entre 18 e 35 anos (IMT Jovem)
Imposto do Selo da compra 0,8% do valor da casa Sim, incluído na isenção IMT Jovem
Imposto do Selo do crédito 0,6% do valor financiado Não, este não está isento
Escritura e registo Custos notariais e de registo na Conservatória Parcialmente (emolumentos isentos com IMT Jovem até 330.539€)
Avaliação do imóvel O banco envia um perito para avaliar a casa Alguns bancos oferecem gratuitamente
Seguros obrigatórios Seguro de vida e multirriscos (anuais) Não, são obrigatórios

Numa casa de 200.000€ com o IMT Jovem acumulado, o único custo inicial incontornável é o Imposto do Selo do crédito: 1.200€. Percebidos os custos de entrada, a questão seguinte é: quanto vais pagar todos os meses?

Queres ver o teu caso concreto? Simula a prestação mensal, a taxa de esforço e os custos de escritura com o simulador do Bem Endividado.

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Quanto vais pagar por mês?

A garantia não mexe na taxa de juro. Mas como pedes mais dinheiro emprestado, a prestação sobe. Com 100% de financiamento em vez de 90%, pagas mais cerca de 83€/mês numa casa de 200.000€ a 35 anos (taxa indicativa de 3,5%). Concretamente: sem entrada pagas cerca de 827€/mês, com entrada de 10% pagarias cerca de 744€/mês. Para o banco aprovar uma prestação de 827€, precisas de um rendimento líquido mensal de pelo menos 2.362€ (os bancos pedem que a prestação não ultrapasse 35% do teu salário líquido). Para o teu caso exacto, usa o simulador do Bem Endividado.

O banco ainda pode recusar

Este ponto é importante e muita gente não percebe. Seres elegível para a garantia não significa aprovação automática do crédito. O banco continua a fazer a sua análise normal: olha para o teu contrato de trabalho, registo de créditos anteriores, dívidas actuais e salário. Se considerar que não tens condições para suportar a prestação, recusa o crédito mesmo que cumpras todos os requisitos da garantia.

Em resumo: a Garantia Pública resolve o problema da entrada. Não resolve o problema do rendimento insuficiente. Se tens dúvidas sobre se o teu perfil seria aprovado, simula primeiro e depois fala com um consultor de crédito para uma análise concreta do teu caso.

Já percebeste como funciona. Agora calcula a tua prestação real, a taxa de esforço e se o banco te aprovaria com ou sem Garantia Pública.

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Perguntas frequentes

Tenho exactamente 35 anos. Ainda posso usar a Garantia Pública?

Sim. O limite é 35 anos inclusive. Se tens exactamente 35 anos no momento em que assinas o contrato de crédito com o banco, podes usar a medida. A data que conta é a da assinatura do contrato, não a da escritura.

A Garantia Pública garante que o banco me aprova o crédito?

Não. A decisão é sempre do banco. O banco analisa o teu salário, o teu registo de créditos anteriores e as tuas dívidas actuais. A Garantia Pública resolve o problema da entrada, mas não substitui a análise do banco. Se o teu salário não chegar para suportar a prestação, o banco pode recusar mesmo que cumpras todos os requisitos da garantia.

Posso usar a Garantia Pública e o IMT Jovem ao mesmo tempo?

Sim, as duas medidas são acumuláveis. Se cumprires os requisitos de ambas, podes usar a Garantia Pública para financiar 100% da casa e ao mesmo tempo beneficiar da isenção de IMT e Imposto do Selo. São diplomas diferentes mas complementares.

Todos os bancos têm a Garantia Pública disponível?

Não, a adesão foi voluntária. No total são 18 bancos no programa. Os principais confirmados incluem CGD, BCP, Santander, BPI, Novo Banco, Banco CTT, ABANCA, Bankinter e Crédito Agrícola. Antes de avançares, confirma com o teu banco se aderiu e se ainda tem limite disponível. A procura tem sido elevada e os limites podem esgotar antes do final de 2026.

O que acontece se deixar de pagar as prestações?

O banco tenta recuperar o valor em falta pelos mecanismos normais de recuperação de crédito. Se não conseguir, acciona a garantia do Estado para a parte coberta (até 15% do capital inicialmente contratado). O Estado paga essa parte ao banco, mas passa a ter o direito de te cobrar esse valor. A dívida não desaparece: o credor passa a ser o Estado em vez do banco, e o Estado tem os seus próprios mecanismos de cobrança. Esta situação é mais grave do que um incumprimento bancário normal, por isso é fundamental que a prestação caiba confortavelmente no teu orçamento antes de avançares.

Posso usar a Garantia Pública para construir uma casa?

Não. A medida é só para comprar uma casa já construída. Se quiseres construir de raiz, fazer obras ou comprar um terreno, esta garantia não se aplica.

Quanto tempo dura a Garantia Pública?

A garantia dura 10 anos a contar da data do contrato. À medida que vais pagando o crédito, a garantia vai reduzindo proporcionalmente. Se fizeres amortizações antecipadas, reduz mais depressa.