Resposta rápida: pela regra dos 33%, as tuas prestações de crédito não devem ultrapassar um terço do rendimento líquido do agregado. Ou seja, precisas de ganhar pelo menos o triplo da soma das prestações, incluindo a da casa.

A resposta depende de três coisas: o preço da casa que queres, quanto tens poupado, e se já tens outros créditos. Este guia explica a lógica que os bancos usam e mostra os números concretos para as situações mais comuns. Para calcular o teu caso específico, usa o simulador do Bem Endividado.

A regra que os bancos usam: a taxa de esforço

O banco calcula uma percentagem chamada taxa de esforço: soma todas as tuas prestações mensais de crédito e divide pelo teu rendimento líquido. O tecto recomendado pelo Banco de Portugal é 45% desde 1 de Agosto de 2026, e é até aí que os bancos aprovam. Os 33% usados nas contas deste artigo não são o ponto em que o banco recusa: são a régua de prudência, a que te deixa folga para viver depois de pagar a prestação.

Exemplo simples

Rendimento líquido de €2 000/mês, sem outros créditos.

€2 000 × 33% = €660 de prestação máxima.

Com €660 de prestação e uma taxa indicativa de 3,5% a 35 anos, consegues financiar cerca de €160 000. A 90% de financiamento, isso corresponde a uma casa de ~€177 000.

Atenção aos outros créditos: se já pagas €200/mês de carro, o teu máximo para habitação desce de €660 para €460. Todos os créditos contam para o mesmo limite.

Tabela: rendimento mínimo por preço de casa

Estimativas com taxa indicativa de 3,5% (Euribor + spread médio em 2026), prazo de 35 anos, financiamento de 90% e sem outros créditos activos.

Preço da casa Prestação estimada Rendimento líquido mínimo
€150 000~€558/mês~€1 690/mês
€200 000~€744/mês~€2 255/mês
€250 000~€930/mês~€2 820/mês
€300 000~€1 116/mês~€3 380/mês
€350 000~€1 302/mês~€3 945/mês
€450 000~€1 674/mês~€5 075/mês

Se comprares em casal, o banco considera o rendimento líquido de ambos. Um casal com €1 200 + €1 300 = €2 500 juntos tem uma prestação máxima de ~€825/mês, o equivalente a uma casa de ~€222 000.

A taxa de 3,5% é apenas indicativa (Euribor 6M + spread médio em 2026). Negociar o spread com o banco pode fazer uma diferença relevante: baixar o spread de 1,2% para 0,8% reduz a prestação de uma casa de €250 000 em cerca de €51/mês, o que representa mais de €21 000 ao longo de 35 anos.

Quanto precisas de ter poupado?

Para uma casa de 200 000€ precisas de ter poupados cerca de 27 500€: 20 000€ de entrada mais cerca de 7 500€ em impostos e custos de transacção. O banco financia normalmente até 90% do valor da casa. Os restantes 10% tens de trazer. Por cima disso, conta com mais 3-6% para os custos de transacção: IMT, Imposto do Selo da compra, Imposto do Selo do empréstimo (0,6% do valor financiado, sempre obrigatório), escritura e registo.

Para uma casa de €200 000: entrada de €20 000 mais custos de ~€7 500 = ~€27 500 a ter poupados. Se fores elegível para IMT Jovem, os custos descem para ~€2 400 e o total cai para ~€22 400.

Garantia Pública do Estado: para jovens até 35 anos, permite financiar até 100% da casa, sem a entrada de 10% que o banco exige, em imóveis até 450 000€. É cumulável com o IMT Jovem e está em vigor até 31 de Dezembro de 2026. Confirma com o teu banco se aderiu ao programa. Sabe como funciona.

Três situações comuns

Estimativas com os mesmos pressupostos da tabela. Para o teu caso exacto, usa o simulador do Bem Endividado.

€1 400 líquido/mês, sozinho, sem outros créditos

≈€124 000

Valor máximo de compra

Prestação máx: ~€462/mês. Total a ter poupado: ~€16 500.

Casal, €2 500/mês juntos, sem outros créditos

≈€222 000

Valor máximo de compra

Prestação máx: ~€825/mês. Total a ter poupado: ~€32 500.

€3 500 líquido/mês, sozinho, sem outros créditos

≈€310 000

Valor máximo de compra

Prestação máx: ~€1 155/mês. Total a ter poupado: ~€48 500.

Qual é a tua situação? Simula em segundos quanto podes pedir ao banco, a tua prestação e quanto poupas com IMT Jovem.

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E se os números não chegarem?

Se já tens crédito habitação e sentes que estás a pagar demais, há duas vias para aliviar o peso: transferir o crédito para outro banco (se o teu spread for alto) ou amortizar antecipadamente quando tiveres poupança disponível.

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Perguntas frequentes

O que é a taxa de esforço no crédito habitação?

A taxa de esforço (DSTI) é a percentagem do teu rendimento líquido mensal que vai para prestações de crédito. Calcula-se somando todas as prestações mensais e dividindo pelo rendimento líquido. O tecto recomendado pelo Banco de Portugal é 45% desde 1 de Agosto de 2026, e é até aí que os bancos aprovam. Como esse limite é calculado sobre a prestação com a taxa agravada em 1,5 pontos, e não sobre a que vais pagar, bater no tecto corresponde na prática a uma prestação de cerca de 36% a 39% do teu rendimento líquido. Os 33% são a régua de prudência, não o ponto em que o banco recusa.

Os bancos calculam a taxa de esforço com taxa variável ou fixa?

Para crédito a taxa variável, o Banco de Portugal exige que os bancos testem a tua capacidade com uma taxa acrescida de 1,5 pontos percentuais (stress test). Isto garante que consegues pagar mesmo que a Euribor suba. Para taxa fixa, esse teste não se aplica da mesma forma.

E se já tiver outros créditos activos quando pedir crédito habitação?

O tecto de 45% do Banco de Portugal aplica-se à soma de todos os créditos, e a régua dos 33% também. Se já pagas €200/mês num crédito automóvel, esse valor desconta no máximo disponível para habitação. Com €2 000 líquidos e taxa de esforço de 33%, o tecto é €660. Se o carro te custa €200, sobram €460 para habitação.

Posso pedir um prazo mais longo para baixar a prestação?

Desde 1 de Agosto de 2026, o Banco de Portugal limita o prazo máximo a 40 anos para quem tem até 35 anos e a 35 anos para quem tem mais de 35. Um prazo mais longo baixa a prestação mensal, mas aumenta bastante o total de juros pagos. Um crédito de €200 000 a 40 anos em vez de 35 pode custar cerca de €25 000 a mais em juros no total. E atenção: um prazo maior baixa a prestação, mas não te deixa comprar mais caro, porque a taxa de esforço máxima também desce ao mesmo tempo, de 50% para 45%, o que reduz o montante que o banco aprova.

Qual é o mínimo de poupança necessário para comprar casa em Portugal?

Como regra geral, deves ter pelo menos 13-16% do valor da casa: 10% para a entrada mais 3-6% para os custos de transacção. Se fores elegível para IMT Jovem, os custos podem cair para 1-2%, reduzindo o total necessário. Sem poupança, a única alternativa é a Garantia Pública, com condições próprias e não disponível em todos os bancos.

O que é a Garantia Pública do Estado e quem pode usar?

A Garantia Pública permite a jovens até 35 anos financiar até 100% da casa em imóveis até 450 000€, sem precisar de dar a entrada de 10%. É cumulável com o IMT Jovem e está em vigor até 31 de Dezembro de 2026. Não está disponível em todos os bancos: confirma sempre antes de contar com esta opção.