Resposta rápida: pela regra dos 33%, as tuas prestações de crédito não devem ultrapassar um terço do rendimento líquido do agregado. Ou seja, precisas de ganhar pelo menos o triplo da soma das prestações, incluindo a da casa. Exemplo: numa casa de 200 000€, com 90% financiado a 3,92% e 35 anos, a prestação fica em ~788€/mês. Pela régua dos 33% precisas de ganhar ~2 390€ líquidos por mês. O mínimo que o banco aceita, com o limite de 45% calculado à taxa de teste de 5,42%, anda pelos ~2 130€.

A resposta depende de três coisas: o preço da casa que queres, quanto tens poupado, e se já tens outros créditos. Este guia explica a lógica que os bancos usam e mostra os números concretos para as situações mais comuns. Não sabes quanto custa uma casa na tua zona? Vê o simulador do preço da casa por concelho. Para calcular o teu caso específico, usa o simulador de crédito habitação.

A regra que os bancos usam: a taxa de esforço

O banco calcula uma percentagem chamada taxa de esforço: soma todas as tuas prestações mensais de crédito e divide pelo teu rendimento líquido. O tecto recomendado pelo Banco de Portugal é 45% desde 1 de Agosto de 2026, e é até aí que os bancos aprovam. Os 33% usados nas contas deste artigo não são o ponto em que o banco recusa: são a régua de prudência, a que te deixa folga para viver depois de pagar a prestação.

Exemplo simples

Rendimento líquido de 2 000€/mês, sem outros créditos.

2 000€ × 33% = 660€ de prestação máxima.

Com 660€ de prestação e uma taxa indicativa de 3,92% a 35 anos, consegues financiar cerca de 150 000€. A 90% de financiamento, isso corresponde a uma casa de ~167 000€.

Atenção aos outros créditos: se já pagas 200€/mês de carro, o teu máximo para habitação desce de 660€ para 460€. O crédito automóvel e o crédito pessoal contam para o mesmo limite.

Tabela: rendimento mínimo por preço de casa

Estimativas com taxa indicativa de 3,92% (Euribor a 6 meses mais um spread de 1%), prazo de 35 anos, financiamento de 90% e sem outros créditos activos.

Preço da casa Prestação estimada Rendimento líquido mínimo
150 000€~591€/mês~1 790€/mês
200 000€~788€/mês~2 390€/mês
250 000€~985€/mês~2 985€/mês
300 000€~1 183€/mês~3 585€/mês
350 000€~1 380€/mês~4 180€/mês
450 000€~1 774€/mês~5 375€/mês

Se comprares em casal, o banco considera o rendimento líquido de ambos. Um casal com 1 200€ + 1 300€ = 2 500€ juntos tem uma prestação máxima de ~825€/mês, o equivalente a uma casa de ~209 000€. Para detalhe completo sobre prestações e custos totais a diferentes prazos e taxas, consulta a nossa tabela de prestação para empréstimo de 150 000€.

A taxa de 3,92% é apenas indicativa: é a Euribor a 6 meses (média de 2,92% em Setembro de 2026) mais um spread de 1%, a margem do banco. Negociar o spread com o banco pode fazer uma diferença relevante: baixar o spread de 1,2% para 0,8% reduz a prestação de uma casa de 250 000€ em cerca de 54€/mês, o que representa mais de 22 000€ ao longo de 35 anos.

Quanto precisas de ter poupado?

Para uma casa de 200 000€ precisas de ter poupados cerca de 27 500€: 20 000€ de entrada mais cerca de 7 500€ em impostos e custos de transacção. O banco financia normalmente até 90% do valor da casa. Os restantes 10% tens de trazer. Por cima disso, conta com mais cerca de 3% a 6% para os custos de transacção: IMT, Imposto do Selo da compra, Imposto do Selo do empréstimo (0,6% do valor financiado, sempre obrigatório), escritura e registo.

Para uma casa de 200 000€: entrada de 20 000€ mais custos de ~7 500€ = ~27 500€ a ter poupados. Se fores elegível para IMT Jovem, os custos descem para ~2 400€ e o total cai para ~22 400€.

Garantia Pública do Estado: para jovens até 35 anos, permite financiar até 100% da casa, sem a entrada de 10% que o banco exige, em imóveis até 450 000€. É cumulável com o IMT Jovem e está em vigor até 31 de Dezembro de 2026, mas o prazo real para chegar à escritura é mais curto. Confirma com o teu banco se aderiu ao programa. Vê como funciona a Garantia Pública.

Três situações comuns

Estimativas com os mesmos pressupostos da tabela. Para o teu caso exacto, usa o simulador de crédito habitação.

1 400€ líquido/mês, sozinho, sem outros créditos

≈117 000€

Valor máximo de compra

Prestação máx: ~462€/mês. Total a ter poupado: ~14 800€.

Casal, 2 500€/mês juntos, sem outros créditos

≈209 000€

Valor máximo de compra

Prestação máx: ~825€/mês. Total a ter poupado: ~29 200€.

3 500€ líquido/mês, sozinho, sem outros créditos

≈293 000€

Valor máximo de compra

Prestação máx: ~1 155€/mês. Total a ter poupado: ~44 600€.

Cada banco tem regras apertadas sobre a fatia do ordenado que podes gastar com a prestação. Põe o que ganhas limpo ao fim do mês e descobre até que preço de casa podes procurar.

Calcular quanto o banco me empresta

E se os números não chegarem?

Se a conta não bater certo para o preço que procuras, não desesperes. Há várias alavancas que podes mexer:

  • 1Juntar um segundo titular: Dois ordenados aumentam o rendimento disponível e diluem a taxa de esforço, desde que o segundo titular não traga outros créditos pesados.
  • 2Liquidar créditos ao consumo: O crédito automóvel e o crédito pessoal contam para o limite de 45%. O cartão de crédito não entra nesta conta, mas o banco olha para ele quando analisa o teu risco. Fechar um crédito de 150€/mês pode libertar entre 28 000€ e 34 000€ de capacidade de empréstimo na casa (o valor mais baixo é o que sai com a taxa agravada do teste do banco).
  • 3Dar mais entrada: Mais entrada significa menos capital em dívida, prestação mais baixa e taxa de esforço menor. Cada 10 000€ extra de entrada reduzem a prestação em cerca de 44€/mês (a 3,92%, 35 anos).
  • 4Procurar imóveis de valor inferior: Se estás no limite, baixar a fasquia em 20 000€ a 30 000€ pode ser a diferença entre uma recusa e uma aprovação sem sobressaltos.

Se já tens crédito habitação e sentes que estás a pagar demais, há duas vias para aliviar o peso: transferir o crédito para outro banco (se o teu spread for alto) ou amortizar antecipadamente quando tiveres poupança disponível.

Descobre até que valor de casa podes comprar com o teu ordenado. Calcular limite de compra com o meu salário

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Perguntas frequentes

O que é a taxa de esforço no crédito habitação?

A taxa de esforço (DSTI) é a percentagem do teu rendimento líquido mensal que vai para prestações de crédito. Calcula-se somando todas as prestações mensais e dividindo pelo rendimento líquido. O tecto recomendado pelo Banco de Portugal é 45% desde 1 de Agosto de 2026, e é até aí que os bancos aprovam. Como esse limite é calculado sobre a prestação com a taxa agravada em 1,5 pontos (nos créditos a taxa variável ou mista com prazo acima de 10 anos), e não sobre a que vais pagar, bater no tecto corresponde na prática a uma prestação de cerca de 36% a 39% do teu rendimento líquido. Os 33% são a régua de prudência, não o ponto em que o banco recusa.

Os bancos calculam a taxa de esforço com taxa variável ou fixa?

Para crédito a taxa variável ou mista com prazo acima de 10 anos (quase todos os de habitação), o Banco de Portugal exige que os bancos testem a tua capacidade com uma taxa acrescida de 1,5 pontos percentuais (stress test). Isto garante que consegues pagar mesmo que a Euribor suba. Para taxa fixa, esse teste não se aplica da mesma forma.

E se já tiver outros créditos activos quando pedir crédito habitação?

O tecto de 45% do Banco de Portugal aplica-se à soma de todos os créditos, e a régua dos 33% também. Se já pagas 200€/mês num crédito automóvel, esse valor desconta no máximo disponível para habitação. Com 2 000€ líquidos e taxa de esforço de 33%, o tecto é 660€. Se o carro te custa 200€, sobram 460€ para habitação.

Posso pedir um prazo mais longo para baixar a prestação?

Desde 1 de Agosto de 2026, o Banco de Portugal limita o prazo máximo a 40 anos para quem tem até 35 anos e a 35 anos para quem tem mais de 35. Um prazo mais longo baixa a prestação mensal, mas aumenta bastante o total de juros pagos. Um crédito de 200 000€ a 40 anos em vez de 35 pode custar cerca de 28 500€ a mais em juros no total. E atenção: um prazo maior também te deixa pedir um pouco mais, mas a taxa de esforço máxima desceu de 50% para 45% e isso pesa mais. Para quem tem entre 31 e 35 anos, o prazo extra só recupera entre um quinto e um terço do que essa descida tira.

Qual é o mínimo de poupança necessário para comprar casa em Portugal?

Como regra geral, deves ter cerca de 13% a 16% do valor da casa: 10% para a entrada mais cerca de 3% a 6% para os custos de transacção. Se fores elegível para IMT Jovem, os custos podem cair para 1-2%, reduzindo o total necessário. Sem poupança, a única alternativa é a Garantia Pública, com condições próprias e não disponível em todos os bancos.

O que é a Garantia Pública do Estado e quem pode usar?

A Garantia Pública permite a jovens até 35 anos financiar até 100% da casa em imóveis até 450 000€, sem precisar de dar a entrada de 10%. É cumulável com o IMT Jovem e está em vigor até 31 de Dezembro de 2026, salvo prorrogação (o Governo diz no Relatório do OE2027 que a quer manter, mas ainda não há diploma). Não está disponível em todos os bancos: confirma sempre antes de contar com esta opção.