Resposta directa: a taxa de esforço é a percentagem do teu rendimento líquido que vai para pagar prestações de crédito. O Banco de Portugal baixou este limite de 50% para 45% (em vigor desde 1 de Agosto de 2026, parte das novas regras do crédito habitação em 2026) e, como esse limite é calculado sobre a prestação com a taxa agravada em 1,5 pontos (nos créditos a taxa variável ou mista com prazo acima de 10 anos), na prática trava os dossiers à volta dos 36% a 39% de prestação real. Se ganhas 2 000€ e pagas 600€ de prestações, a tua taxa de esforço é 30%. Podes calcular a tua em segundos no simulador de taxa de esforço.
O banco disse que sim. Aprovado. A prestação cabe dentro dos limites que a lei permite. Mas depois de pagar a prestação, o condomínio, a creche, o supermercado, o carro e a luz, o que sobra?
Essa é a pergunta que o banco não faz. E que tu tens de fazer antes de assinar.
O que é a taxa de esforço?
É a percentagem do teu rendimento líquido que vai para pagar prestações de crédito. Contam os créditos com prestação fixa: habitação, carro e crédito pessoal. O cartão de crédito não entra nesta conta, mas o banco olha para ele quando analisa o teu risco. Se quiseres perceber também quanto rendimento precisas de ter para comprar casa, lê o guia sobre rendimento mínimo para comprar casa em 2026.
Imagina que ganhas 1 500€ líquidos por mês. Se a prestação da casa for 450€, a taxa de esforço é 30%. Para veres a tua num instante, usa o simulador de taxa de esforço.
A conta simples
Taxa de esforço = prestações totais ÷ rendimento líquido
Exemplo: 450€ de prestação ÷ 1 500€ de salário = 30% de taxa de esforço
Se também pagas 200€ de carro, o cálculo é: (450€ + 200€) ÷ 1 500€ = 43% de taxa de esforço
O limite regulatório do Banco de Portugal é de 45%. Como o limite é aplicado à prestação com a taxa agravada em 1,5 pontos (nos créditos a taxa variável ou mista com prazo acima de 10 anos), e não à que vais pagar, bater nesse tecto corresponde a uma prestação real de cerca de 36% a 39% do teu rendimento. Na régua de prudência do Bem Endividado, abaixo dos 28% ficas com margem confortável para imprevistos.
O que o banco vê e o que tu vives
O banco aprova com base no teu rendimento e nas tuas prestações de crédito actuais. Não conta condomínio, creche, supermercado nem nenhuma despesa corrente. O banco analisa o teu rendimento e verifica se a prestação cabe dentro dos limites legais. Não conta com o resto da tua vida financeira: creche, supermercado, custos do carro (combustível, seguro), luz, ou qualquer outra despesa fixa que tenhas.
O que o banco calcula
Rendimento: 2 800€
O banco vê 1 820€ disponíveis e conclui que a prestação é suportável. Não considera creche, supermercado, custos do carro (combustível, seguro) nem nenhuma outra despesa fixa da família.
O que tu vives
Rendimento: 2 800€
345€ para roupa, poupança, imprevistos e tudo o que apareça. Para um casal com um filho, é muito pouco. Uma avaria no carro ou uma visita ao dentista já desequilibra o mês.
Aprovado vs. confortável: qual é a diferença real?
Esta é a régua de prudência do Bem Endividado. Não é uma regra do banco nem da lei: serve para veres se a prestação cabe na tua vida.
| Taxa de esforço | O que significa na prática | Nível |
|---|---|---|
| Abaixo de 28% | Tens margem para imprevistos, poupança e vida | Confortável |
| 28% a 33% | Razoável, mas sem grande almofada. Evita outros créditos | Atenção |
| 33% a 40% | O banco aprova, mas qualquer imprevisto dói | Arriscado |
| Acima de 40% | Risco elevado. Qualquer alteração ao rendimento ou despesas é difícil de absorver | Perigoso |
A tua família nos números: três exemplos reais
Escolhe o teu perfil e o cenário para veres o que sobra ao fim do mês.
Cada banco tem regras apertadas sobre a fatia do ordenado que podes gastar com prestações. Põe o que ganhas limpo ao fim do mês e o que já pagas, e vê se ficas dentro do limite de 45%.
Calcular a minha taxa de esforçoO que acontece se a Euribor subir?
Se o teu crédito é a taxa variável, indexado à Euribor, a tua prestação pode subir sem que faças nada de errado. Na taxa mista, isso pode acontecer quando acaba o período de taxa fixa. Se ainda estás a ponderar o momento certo, lê a análise sobre comprar casa agora ou esperar.
Por isso o Banco de Portugal recomenda um stress test: nos créditos a taxa variável ou mista com prazo acima de 10 anos (quase todos os de habitação), os bancos verificam se consegues pagar com a taxa actual acrescida de 1,5 pontos percentuais. É uma protecção, mas feita com a tua situação de hoje, sem contar com imprevistos futuros.
Para perceberes como a Euribor funciona e quanto pode mudar na tua prestação, lê o guia sobre Euribor e crédito habitação.
O impacto de subidas de Euribor numa prestação a 3,92% e prazo de 35 anos:
Os valores exactos dependem do prazo restante e do capital em dívida no momento de cada revisão de taxa.
Como melhorar a tua posição antes de ir ao banco
- 1 Liquida outros créditos primeiro. O crédito automóvel e o crédito pessoal entram no cálculo da taxa de esforço. O cartão de crédito não entra nesta conta, mas o banco olha para ele quando analisa o teu risco. Cada 100€ de prestação que eliminas aumenta o montante que podes pedir para a casa.
- 2 Aumenta a entrada. Menos capital financiado significa prestação mais baixa e, muitas vezes, spread mais favorável. A diferença entre 10% e 20% de entrada pode ser significativa na prestação mensal. Se tens 35 anos ou menos e não tens os 10% de entrada, a Garantia Pública do Estado pode ser uma opção a considerar.
- 3 Faz as contas antes de ir ao banco. Soma todas as tuas despesas fixas reais. O que sobra depois dessas despesas, e não o que o banco aprova, é o teu limite real para a prestação.
- Já tens crédito habitação? Se o teu spread foi contratado antes de 2022, é provável que haja margem para poupar. Ver como funciona a transferência de crédito. Podes calcular a poupança no simulador de transferência de crédito habitação.
- Vais pedir um segundo crédito? A taxa de esforço é calculada com as duas prestações em simultâneo, o que dificulta a aprovação. Percebe o que o banco analisa no guia sobre segunda casa sem vender a primeira.
Descobre até que valor de casa podes comprar com o teu ordenado. Calcular limite de compra com o meu salário
Achas que isto pode ajudar alguém?
Perguntas frequentes
A taxa de esforço é a percentagem do teu rendimento líquido mensal que vai para pagar prestações de crédito. Calcula-se dividindo o total de prestações mensais (habitação, carro, crédito pessoal) pelo rendimento líquido. O cartão de crédito não entra nesta conta, mas o banco olha para ele quando analisa o teu risco. Por exemplo, se ganhas 2 000€ líquidos e pagas 600€ de prestação, a taxa de esforço é 30%. O nome técnico usado pelos bancos é DSTI (Debt Service-to-Income ratio).
O Banco de Portugal baixou este limite de 50% para 45%, em vigor desde 1 de Agosto de 2026 para os novos contratos. Como o limite incide sobre a prestação com a taxa agravada em 1,5 pontos (nos créditos a taxa variável ou mista com prazo acima de 10 anos), e não sobre a que vais pagar, na prática trava os dossiers à volta dos 36% a 39% de prestação real. Pela régua de prudência do Bem Endividado, abaixo dos 28% ficas com margem confortável. O limite de 45% aplica-se depois de considerar o impacto de uma eventual subida de taxa de juro (stress test).
Na régua de prudência do Bem Endividado, 35% já é zona de risco e 25% é uma margem confortável. A diferença prática é significativa: num rendimento conjunto de 2 800€, uma taxa de 35% implica uma prestação de 980€, deixando cerca de 345€ de margem após as despesas correntes de uma família com um filho. Com 25% a prestação desce para 700€ e a margem sobe para cerca de 625€, o que permite absorver imprevistos sem entrar em dificuldades.
Com o salário líquido, ou seja, o que recebes na conta. Atenção: o banco usa o líquido fiscal declarado, que pode ser ligeiramente diferente do que efectivamente recebes se tiveres subsídios variáveis, horas extra ou prémios que não sejam fixos e regulares.
Podes, mas é arriscado. O banco aprova com base numa fotografia de hoje: o teu salário de hoje, as tuas despesas declaradas de hoje. Não conta com o que muda: filhos, doenças, perda de emprego, Euribor mais alta, um carro que avaria. O máximo aprovado é o tecto legal, não o valor ideal para ti.
Sim, o banco soma o rendimento líquido de ambos os titulares. Isso aumenta o montante que podem pedir. Mas há um risco que muita gente ignora: se um dos dois perder o emprego, a prestação não baixa. É importante garantir que conseguem suportar o encargo com apenas um salário, pelo menos durante um período de transição.
Pela régua de prudência do Bem Endividado, abaixo dos 28% és confortável e tens margem para imprevistos. Entre 28% e 33% é razoável mas tens de ser disciplinado. Acima dos 33% começas a sentir pressão, especialmente se tiveres filhos, carro, ou qualquer outra despesa fixa relevante. Não é uma regra do banco: serve para veres se a prestação cabe na tua vida.
Depende do banco e da forma como é pago. Subsídio de alimentação em cartão ou ticket normalmente não é considerado. O que conta com certeza é o salário base e os complementos que sejam fixos e regulares, declarados no recibo de vencimento.
Para crédito a taxa variável ou mista com prazo acima de 10 anos (quase todos os de habitação), o Banco de Portugal recomenda que os bancos verifiquem se consegues pagar mesmo que a Euribor suba 1,5 pontos percentuais acima do valor actual. É uma protecção: se não passares neste teste, o banco não te empresta ao valor pedido. Na prática corta bastante: cerca de 15% a 20% do montante que podias pedir sem esse teste.
O primeiro passo é falar com o banco antes de falhar um pagamento. Os bancos têm planos de acompanhamento chamados PARI (Plano de Acção para o Risco de Incumprimento) e preferem sempre renegociar do que executar a hipoteca. Podes pedir uma extensão de prazo, um período de carência ou uma reestruturação. Mas funciona muito melhor se pedires ajuda antes de entrar em incumprimento.
O banco costuma olhar para a média de vários anos dos rendimentos que declaraste nas Finanças. Rendimentos irregulares ou recentes contam menos. Se és trabalhador independente há menos de dois anos, alguns bancos podem nem aceitar o crédito, ou aplicar um desconto significativo ao rendimento considerado. Leva as declarações de IRS dos últimos dois anos para qualquer reunião com o banco.