O governador do Banco de Portugal anunciou a 27 de Maio de 2026, na apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira, duas mudanças concretas ao crédito habitação. As regras ainda não estão publicadas em Diário da República, mas os números já são conhecidos. Entrada em vigor prevista para o final do verão de 2026.
O essencial
A taxa de esforço máxima desce de 50% para 45%, o que reduz o montante que podes pedir ao banco. Os prazos são simplificados: quem tem entre 30 e 35 anos passa de 37 para 40 anos de prazo máximo. As duas regras entram em vigor no final do verão de 2026 e aplicam-se apenas a novos contratos.
Porque é que o crédito habitação está a mudar
Em 2025, a garantia pública para jovens até 35 anos fez disparar os créditos com financiamento a 100% do valor da casa. Segundo o Relatório do Banco de Portugal de Março de 2026, os créditos a mutuários de risco elevado passaram de 3% para 21% do total. Um em cada quatro jovens que comprou casa ficou com um crédito de quase 100% do valor do imóvel.
O BdP não pode cancelar a garantia pública (é uma decisão do Governo) mas pode apertar as condições que os bancos têm de cumprir antes de aprovarem um crédito. É isso que está a fazer.
Mudança 1: taxa de esforço máxima desce de 50% para 45%
A taxa de esforço é a percentagem do teu rendimento líquido que vai para prestações de crédito. Actualmente, o banco pode aprovar crédito até ao limite em que as tuas prestações totais representem 50% do teu rendimento. Com a mudança, esse limite desce para 45%. Se não sabes ao certo quanto precisas de ganhar para comprar a casa que tens em mente, temos um guia com exemplos concretos.
Na prática: para o mesmo rendimento, podes pedir menos dinheiro ao banco. Ou precisas de ganhar mais para conseguir o mesmo crédito. Para saberes exactamente onde ficas, podes simular a tua situação actual antes das novas regras entrarem em vigor.
Quanto podes pedir ao banco: antes e depois da mudança
Estimativas com taxa de 3,5%, prazo de 35 anos. O limite regulatório de taxa de esforço desce de 50% para 45%. Valores aproximados.
Rendimento líquido
€1.500/mês
Hoje (50%)
~€181k
Com a mudança (45%)
~€163k
menos €18.000
Rendimento líquido
€2.000/mês
Hoje (50%)
~€242k
Com a mudança (45%)
~€218k
menos €24.000
Rendimento líquido
€2.500/mês
Hoje (50%)
~€302k
Com a mudança (45%)
~€272k
menos €30.000
Nota: na prática, a maioria dos bancos já aplica um critério interno de 33 a 40%, mais conservador do que o limite regulatório de 50%. Para quem está exactamente no limiar de aprovação, esta descida de 50% para 45% pode ser a diferença entre aprovado e recusado.
Mudança 2: novos prazos de crédito habitação por idade
Actualmente, os prazos máximos de crédito habitação dependem da tua idade em três escalões. A proposta simplifica para dois e, surpreendentemente, alarga o prazo máximo para quem tem entre 30 e 35 anos.
Prazos máximos de crédito habitação por idade
| Idade | Regra actual | Proposta do BdP |
|---|---|---|
| Até 30 anos | 40 anos | 40 anos |
| 30 a 35 anos | 37 anos * | 40 anos |
| Mais de 35 anos | 35 anos | 35 anos |
* Quem tem entre 30 e 35 anos sai beneficiado com a proposta: o prazo máximo sobe de 37 para 40 anos, passando a ser igual ao escalão abaixo dos 30 anos.
Fonte: Comunicado do BdP, Relatório de Estabilidade Financeira, Maio 2026
Para quem tem entre 30 e 35 anos, esta é uma melhoria: passa de 37 para 40 anos de prazo máximo. Um prazo mais longo significa uma prestação mensal mais baixa para o mesmo valor de crédito, o que pode ajudar a passar no teste de taxa de esforço.
A proposta elimina também a regra que obrigava os bancos a manter uma maturidade média de carteira convergindo para 30 anos. Essa pressão sobre as carteiras dos bancos desaparece.
O que muda na prestação consoante o prazo
Exemplo com €180.000 de crédito e taxa de 3,5%.
| Prazo | Prestação mensal | Diferença vs. 35 anos |
|---|---|---|
| 40 anos | ~€697/mês | menos €47/mês |
| 37 anos * | ~€724/mês | menos €20/mês |
| 35 anos | ~€744/mês | referência |
* Prazo actual para quem tem entre 30 e 35 anos. Com a proposta do BdP, este escalão passa para 40 anos.
Quem é afectado por estas novas regras de crédito habitação
| Situação | Impacto |
|---|---|
| Já tens crédito habitação | Nenhum. As novas regras só se aplicam a novos contratos. |
| Estás a negociar crédito agora | Podes não ser afectado se o contrato for assinado antes da entrada em vigor (prevista para final do verão). |
| Tens entre 30 e 35 anos | Sais beneficiado nos prazos: passas de 37 para 40 anos de prazo máximo. |
| Tens rendimento no limiar de aprovação | A descida da taxa de esforço de 50% para 45% reduz o montante que podes pedir. |
| Usas a garantia pública (jovens até 35 anos) | A garantia continua disponível, mas as condições de aprovação ficam mais exigentes. |
Qual é a tua situação com as regras actuais? Simula agora e percebe quanto podes pedir ao banco antes das novas regras entrarem em vigor.
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Perguntas frequentes
É a percentagem do teu rendimento líquido mensal que vai para o pagamento de todas as prestações de crédito. Com a mudança proposta pelo BdP, o limite máximo desce de 50% para 45%. Na prática, o banco calcula as tuas prestações e garante que não ultrapassam esse limite. Isto reduz o montante que podes pedir, especialmente se estiveres perto do limite actual.
O governador do BdP disse que as regras deverão estar em vigor no final do verão de 2026. A data exacta ainda não foi publicada em Diário da República. Actualizamos este artigo assim que houver confirmação oficial.
Não está previsto terminar antecipadamente. O programa vigora até 31 de Dezembro de 2026 e o Governo até reforçou o seu envelope. O que o BdP propõe não elimina a garantia, mas as condições de aprovação do crédito ficam mais exigentes para quem a usa.
Não. Todas as alterações aplicam-se apenas a novos contratos de crédito. Se já tens crédito habitação em vigor, as condições mantêm-se exactamente iguais.
É uma melhoria para este grupo específico. Actualmente, quem tem entre 30 e 35 anos só pode pedir crédito até 37 anos de prazo. Com a proposta, passa para 40 anos. Para quem tem menos de 30 anos ou mais de 35 anos, a regra não se altera: continuam com 40 e 35 anos de prazo máximo respectivamente. Um prazo mais longo significa uma prestação mensal mais baixa, o que ajuda a cumprir o novo limite de taxa de esforço de 45%.
Parcialmente. A descida da taxa de esforço de 50% para 45% aperta a capacidade de endividamento, mas o alargamento do prazo de 37 para 40 anos reduz a prestação mensal e compensa parte desse aperto. Para este grupo, o efeito líquido é menos negativo do que para quem tem menos de 30 anos ou mais de 35, onde só actua a descida da taxa de esforço sem compensação nos prazos.