Resposta directa: os bancos em Portugal consideram tipicamente 70% do valor da renda como rendimento na análise do crédito habitação, num intervalo que varia entre 50% e 80% conforme o banco. Para a renda contar, precisas de contrato de arrendamento assinado. Sem contrato, a maioria dos bancos ignora a renda por completo.
Tens casa própria, estás a pensar mudar, mas não queres vender. A ideia é comprar segunda casa sem vender a primeira: arrendas a que tens e compras outra. Em teoria a renda que vais receber ajuda a pagar a nova prestação, e os números parecem fechar. Na prática o banco avalia esta situação de forma diferente, e há mais coisas a considerar. Para simular a tua situação, usa o simulador do Bem Endividado.
O que muda quando pedes crédito para uma segunda casa
- 1 Já tens uma prestação activa. Antes de sequer falar da segunda casa, uma parte do teu salário já está comprometida. O banco soma as duas prestações para ver se consegues pagar as duas.
- 2 O limite depende da finalidade, não do número de casas. Se vais viver na casa nova e arrendar a antiga, a casa nova é a tua habitação própria e permanente e o limite recomendado pelo Banco de Portugal continua nos 90%. Só desce para 80% se a casa nova for para arrendar, investir ou passar férias. É a finalidade que declaras ao banco que decide, não o facto de já teres uma casa. A Garantia Pública do Estado não se aplica a segunda habitação: aplica-se apenas à primeira compra. Se ainda não és proprietário, lê como funciona e quem pode pedir.
- 3 A renda conta, mas não toda. O banco aceita a renda para calcular o que ganhas, mas só uma parte. Normalmente entre 50% e 80% do valor do contrato, porque tem em conta o risco de o imóvel ficar vazio ou o inquilino não pagar. Este intervalo não é fixo por lei, cada banco define internamente.
- 4 Precisas de contrato assinado. Sem contrato de arrendamento, a maioria dos bancos ignora a renda por completo na análise. Uma promessa verbal ou intenção de arrendar não chega.
A entrada que precisas de ter
Exemplo: casa nova de €250 000, para habitação própria e permanente
O banco empresta 90% = €225 000. Os restantes €25 000 tens de trazer tu, mais os impostos e despesas da compra por cima.
| O que pagas | Valor |
|---|---|
| Entrada mínima (10% do valor da casa) | €25 000 |
| IMT (habitação própria e permanente, 2026) | €7 042 |
| Imposto do Selo da compra (0,8%) | ~€2 000 |
| Imposto do Selo do empréstimo (0,6% de €225 000) | €1 350 |
| Escritura e registo | ~€1 300 |
| Total a ter disponível antes da escritura | ~€36 700 |
Se já és proprietário de uma habitação, não tens direito ao IMT Jovem, independentemente da idade. Lembra também que passas a pagar IMI em dois imóveis.
Três detalhes que muita gente descobre tarde demais
O que aperta no segundo crédito não é o limite de financiamento, é a taxa de esforço: ela passa a incluir as duas prestações. Além disso, a avaliação do banco pode ser inferior ao preço que pagaste. O banco empresta 90% do menor valor entre o preço de compra e a avaliação interna. Se pagares €250 000 por uma casa avaliada em €220 000, o empréstimo máximo é €198 000, não €225 000. Precisas de €52 000 de capitais próprios em vez de €25 000. No mercado actual, isto acontece com frequência.
Vais passar a pagar dois seguros de vida. Cada crédito exige o seu. Para um empréstimo de €225 000, podes esperar pagar €15 a €40/mês a mais, dependendo da idade e da seguradora. Não és obrigado a contratar no banco, vale a pena comparar.
E se o inquilino sair? O banco aprovou contando com a renda, mas se a casa ficar vazia a prestação não para. Antes de avançar, faz esta conta: consegues pagar as duas prestações durante 3 a 6 meses sem renda? Se a resposta for não, o risco é maior do que parece.
Como a renda entra na equação
O banco aceita entre 50% e 80% da renda como rendimento, nunca o valor total do contrato. Imagina que arrendas a primeira casa por €900/mês. O banco não vai somar €900 ao teu salário. Vai aceitar entre €450 e €720 desse valor (50% a 80%), conforme os critérios de cada banco, e este intervalo não é fixo. Os três cenários em baixo mostram como este cálculo muda consoante o perfil e se tens ou não contrato assinado.
Três cenários reais
Mesmo com números que parecem fechar, o banco pode recusar: sem contrato de arrendamento a renda não conta, os critérios são mais apertados no segundo pedido, e o banco testa se consegues pagar se a taxa subir 1,5 pontos. Desde 1 de Agosto de 2026 o tecto recomendado pelo Banco de Portugal é 45%, cinco pontos abaixo do que era.
Casa nova: €250 000 · Empréstimo: €225 000 · Prestação: ~€930/mês · O que muda em cada cenário é o rendimento e a renda recebida.
✓ Aprovação provável
do rendimento considerado vai para prestações
⚖ Difícil, com contrato
do rendimento considerado vai para prestações
✗ Recusa provável
do rendimento considerado vai para prestações
Pressupostos: taxa 3,5%, prazo 35 anos. O cenário vermelho tem os mesmos dados que o dourado, a única diferença é não ter contrato de arrendamento assinado.
A diferença entre aprovado e recusado pode estar em como o dossier é apresentado. Fala com um especialista gratuitamente.
Simular e falar com especialistaO que podes fazer para melhorar a aprovação
- 1 Reduz o spread do primeiro crédito primeiro. Se o teu crédito actual foi contratado antes de 2022, transferir para um spread mais baixo melhora directamente a taxa de esforço para o segundo pedido.
- 2 Assina o contrato antes de ir ao banco. Sem contrato de arrendamento, o banco não conta a renda. É o passo mais importante, e também o mais ignorado: muita gente vai ao banco com intenção de arrendar, quando devia ir com contrato assinado.
- 3 Reforça a entrada. Quanto mais entrares, menor é a prestação e mais folga tens na taxa de esforço.
- 4 Amortiza a primeira casa antes. Baixar a prestação actual liberta margem para a segunda.
- 5 Alarga o prazo. Uma prestação mais baixa pode ser a diferença entre aprovado e recusado, mesmo que pagues mais juros no total.
- 6 Compara bancos. A percentagem da renda aceite varia. Um intermediário licenciado sabe onde o teu dossier tem mais hipóteses.
A diferença entre aprovado e recusado pode estar em como o dossier é apresentado. Fala com um especialista gratuitamente.
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Perguntas frequentes
Sim, mas não a 100%. A maioria dos bancos aceita entre 50% e 80% do valor do contrato. Para que a renda seja considerada, tens de ter contrato assinado.
Depende da finalidade que declaras. Se vais viver na casa nova e arrendar a antiga, ela conta como habitação própria e permanente e o limite recomendado pelo Banco de Portugal é 90%, igual ao da primeira compra. Se for para arrendar ou investir, desce para 80%. Alguns bancos ficam abaixo destes limites quando já tens outro crédito activo.
Não. A isenção só se aplica à primeira casa. Se já és proprietário, não tens direito.
Não é obrigatório, mas ter contrato assinado aumenta muito as hipóteses de aprovação. Sem contrato, o banco ignora a renda na análise.
Não é automático. O tecto do Banco de Portugal é 45%, mas incide sobre a prestação com a taxa agravada em 1,5 pontos, e não sobre a que vais pagar. Na prática, uma prestação real acima dos 36% a 39% do rendimento já costuma bater no limite. A renda ajuda a baixar a percentagem, mas o banco só conta uma parte dela. Se não chegar, precisas de mais entrada, prazo mais longo, ou outra pessoa no contrato.
Não. O banco avalia se consegues pagar as duas prestações com o que ganhas, contando também com a renda que vais receber. Quanto menos deveres na primeira, mais fácil.