São duas coisas diferentes e só uma tem data marcada. A garantia pública acaba a 31 de Dezembro de 2026, salvo prorrogação: é um aval do Estado ao banco para financiar 100% do valor da casa, sem entrada. O IMT Jovem é uma isenção de imposto sem data de fim, que continua a valer em 2027. Faz as contas no simulador de crédito habitação.

Não são a mesma coisa

Um é um empréstimo mais fácil. O outro é um imposto que não pagas.

A garantia pública é um aval do Estado ao banco, para o banco te emprestar 100% do valor da casa sem exigir entrada. O IMT Jovem é uma isenção que reduz ou elimina o IMT e o Imposto do Selo pagos na escritura.

 Garantia públicaIMT Jovem
O que éAval do Estado ao bancoIsenção de imposto
Para que serveComprar sem entradaPagar menos na escritura
IdadeDos 18 aos 35 anos inclusiveAté aos 35 anos inclusive
Limite de valorCasa até 450.000€Isenção total até 330.539€
Limite de rendimentoSim, até ao 8.º escalão de IRSNão tem
Tem prazo?Sim, 31 de Dezembro de 2026Não tem data de fim

Nos dois casos, os 35 anos contam à data da escritura.

A garantia pública acaba: o que diz a lei

A garantia nasceu do Decreto-Lei n.º 44/2024. A lei diz que o protocolo entre o Estado e os bancos se mantém em vigor até 31 de Dezembro de 2026, ou até outra data que corresponda ao fim de uma eventual prorrogação. A data está escrita, mas a porta ficou aberta. Até hoje não há decisão de a prolongar.

O que o Estado fez foi meter mais dinheiro: em Abril de 2026 reforçou a linha em 750 milhões de euros, levando o total para cerca de 2.300 milhões. Foi o segundo reforço, porque a procura esgotou os montantes anteriores. Os requisitos completos estão no guia da garantia pública.

Atenção: mais dinheiro na linha não é mais tempo. O reforço evita que o plafond acabe durante 2026, mas não mexe na data limite dos contratos.

O IMT Jovem não acaba: porquê

O IMT Jovem não é um programa com dotação e prazo. É uma norma escrita dentro do Código do IMT e do Código do Imposto do Selo. Não tem validade, não tem plafond, não depende de protocolo com bancos.

Só desaparece se uma lei futura o revogar, e nenhum Orçamento do Estado o fez. Pelo contrário: o Orçamento para 2026 subiu os limites. Estes são os valores em vigor no Continente, para primeira habitação própria e permanente:

Valor da casaIMT a pagar
Até 330.539€0€Isenção total
De 330.539€ a 660.982€8% sobre o que passa dos 330.539€Isenção parcial
Acima de 660.982€6% sobre o valor todoSem isenção

Numa casa de 250.000€ isto vale cerca de 9.000€ entre IMT e Imposto do Selo. O detalhe todo está no guia do IMT Jovem.

Vê quanto consegues pedir ao banco e quanto sobra para os custos da escritura.

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Porque é que se confundem

Já agora: a isenção de emolumentos no registo predial faz parte do pacote do IMT Jovem e também não tem prazo. O IRS Jovem é outra coisa, tem a ver com o imposto sobre o teu salário e nada com a compra de casa.

Conta a data da escritura, não a do contrato de promessa

O que a lei conta é a data do contrato de crédito, ou seja, o dia da escritura. Não é a do contrato de promessa nem a da entrega dos papéis no banco.

Entre pedir o crédito e assinar passam semanas: avaliação, análise, aprovação, marcação da escritura. Se o processo se arrastar para Janeiro, o crédito já não entra ao abrigo da garantia.

Depois de assinares: a garantia fica associada ao teu crédito durante 10 anos e nada disso muda se o programa acabar. A data de 31 de Dezembro de 2026 só decide quem ainda consegue entrar.

Se comprares em 2027, o que é que perdes

Sem prorrogação, perdes uma coisa: financiamento a 100% sem entrada. Mantens tudo o resto. Numa casa de 250.000€:

Com garantia pública

0€

Entrada

O banco financia os 250.000€ todos.

Sem garantia pública

≈25.000€

Entrada

Os bancos financiam até 90% do menor valor entre a compra e a avaliação.

Nos dois casos

0€

IMT e Selo

O IMT Jovem não depende da garantia e não tem data para acabar.

O IMT Jovem continua igual, e é ele que poupa os milhares de euros da escritura. As contas da entrada estão no artigo sobre quanto precisas de ter de lado.

Ainda pode mudar: a proposta de Orçamento do Estado para 2027 é apresentada em Outubro de 2026. É aí que se saberá se a garantia é prorrogada. Até lá, a data em vigor é 31 de Dezembro de 2026.

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Perguntas frequentes

A garantia pública e o IMT Jovem são a mesma coisa?

Não. A garantia pública é um aval do Estado ao banco, que permite financiar 100% sem entrada. O IMT Jovem é uma isenção que reduz ou elimina o IMT e o Imposto do Selo na escritura. São dois diplomas diferentes e podem ser usados em conjunto.

A garantia pública acaba mesmo a 31 de Dezembro de 2026?

É a data que está na lei. O protocolo entre o Estado e os bancos mantém-se em vigor até 31 de Dezembro de 2026, ou até outra data que corresponda ao fim de uma eventual prorrogação. Até hoje não há decisão de prorrogar, e isso só deverá ficar claro com a proposta de Orçamento do Estado para 2027, em Outubro de 2026.

Se comprar casa em 2027 ainda tenho isenção de IMT?

Sim, tanto quanto a lei actual permite prever. O IMT Jovem foi criado por alteração ao Código do IMT e ao Código do Imposto do Selo, sem data de fim. Só deixa de existir se uma lei futura o revogar.

Posso usar a garantia pública e o IMT Jovem ao mesmo tempo?

Sim, e é o que a maioria dos jovens faz. Os requisitos sobrepõem-se quase todos: até 35 anos inclusive, primeira habitação própria e permanente. A garantia tem duas condições extra que o IMT Jovem não tem: casa até 450.000€ e rendimentos até ao 8.º escalão de IRS.

Conta a data do contrato de promessa ou a da escritura?

Conta a data do contrato de crédito, ou seja, a da escritura. O contrato de promessa não garante o acesso. Como entre o pedido e a escritura passam semanas, quem quiser usar a garantia não deve deixar o processo para o fim do ano.

Sem garantia pública, de quanto preciso de entrada?

Os bancos financiam até 90% do menor valor entre o preço de compra e a avaliação, o que deixa cerca de 10% a teu cargo. Numa casa de 250.000€ são cerca de 25.000€, mais os custos de escritura e registo. O IMT Jovem baixa muito esses custos, porque o IMT e o Imposto do Selo desaparecem até 330.539€.