Simulador para calcular a taxa de esforço do teu crédito habitação.
Crédito em nome dos dois? Divide a prestação por cada um.
O que é a taxa de esforço e quanto podes gastar em créditos?
A taxa de esforço é a percentagem do rendimento líquido mensal de uma família destinada ao pagamento de prestações de crédito. Calcula-se assim: soma das prestações a dividir pelo rendimento líquido, vezes 100. Desde 1 de Agosto de 2026, o Banco de Portugal recomenda um limite máximo de 45%, e a zona de conforto vai até aos 33%. Este simulador gratuito calcula a tua taxa na hora e mostra a margem disponível para novos créditos.
Por exemplo: se recebes 1 000 € limpos na conta e pagas 350 € de prestações, a tua taxa de esforço é de 35%. Os restantes 650 € são o que te sobra para comida, luz, água, transportes, despesas da família e poupança.
Quando vais pedir dinheiro ao banco (seja para comprar casa, um carro ou fazer um crédito pessoal), a primeira coisa que o banco faz é esta conta. Se a tua taxa de esforço for demasiado alta, o banco recusa logo o pedido, porque tem receio de que fiques sem dinheiro para viver e deixes de conseguir pagar as prestações.
O que podes fazer neste simulador
- Descobrir a tua taxa de esforço na hora: colocas o que ganhas e o que pagas de prestações, e vês logo o resultado exacto
- Saber se estás seguro ou em risco: o manómetro mostra logo se a tua situação é confortável (verde), de atenção (amarela) ou perigosa (vermelha)
- Ver para onde vai o teu dinheiro: divide os teus gastos mensais entre casa, carro, crédito pessoal e cartões de crédito
- Calcular quanto ainda podes pedir: diz-te quanto dinheiro podes gastar numa nova prestação sem ultrapassar os limites recomendados
- Definir metas para poupar: podes ver quanto terias de abater em dívidas ou quanto terias de ganhar a mais para ter uma taxa de esforço mais tranquila
- Guardar em PDF ou enviar por WhatsApp: podes descarregar o resumo para levar ao banco ou partilhar com quem te vai ajudar
Como se calcula a taxa de esforço (com um exemplo simples)
A conta é muito fácil: somas todas as prestações de crédito que pagas num mês, divides pelo total de dinheiro limpo que ganhas, e multiplicas por 100 para ter a percentagem:
Exemplo real: (1 050 € de prestações ÷ 2 800 € limpos) × 100 = 37,5%
Exemplo com números reais: Imagina um casal que recebe 2 800 € limpos por mês na conta (já com os descontos de IRS e Segurança Social feitos). Pagam 750 € de prestação da casa, 200 € do carro e 100 € de um crédito pessoal. No total, pagam 1 050 € por mês aos bancos.
Dividindo 1 050 € por 2 800 €, o resultado é 37,5%. Ficam com 1 750 € livres para todas as outras despesas do mês. Esta taxa de 37,5% é aceite pela maioria dos bancos, mas já começa a ficar perto do limite recomendado.
Qual é o limite em 2026? A regra dos 45% do Banco de Portugal
O Banco de Portugal define as regras para todos os bancos que operam no país. Desde 1 de Agosto de 2026, as regras para quem pede crédito ficaram mais apertadas:
- O limite máximo desceu para 45%: antigamente os bancos podiam aprovar créditos até aos 50%. Agora, por regra geral, as prestações de crédito de uma pessoa ou casal não podem ultrapassar 45% do ordenado limpo.
- Os bancos têm menos margem para abrir excepções: cada banco só pode aprovar créditos acima de 45% a uma fatia muito pequena de clientes (no máximo 10% do total de créditos que empresta).
- O valor mais seguro continua nos 33%: embora o tecto seja 45%, a recomendação de segurança para não viveres com a corda na garganta é gastares no máximo um terço (cerca de 33%) do teu ordenado em créditos.
O que o banco pensa da tua taxa: tabela simples
Cada banco tem as suas regras internas, mas a grande maioria olha para a taxa de esforço desta forma:
| Taxa de Esforço | Nível de Risco | No Banco | No Dia-a-Dia |
|---|---|---|---|
| Até 33% | Zona Confortável | Aprova facilmente se o emprego for estável. | Boa folga mensal; sobra dinheiro para poupar e pagar imprevistos. |
| 34% a 40% | Zona de Atenção | A maioria dos bancos aprova, mas pede mais comprovativos. | O orçamento funciona bem, mas imprevistos começam a apertar as contas. |
| 41% a 45% | Zona Limite | Aprovação difícil; o banco costuma exigir fiadores ou mais entrada. | Muito pouco dinheiro livre; qualquer despesa extra causa aperto. |
| Mais de 45% | Zona Crítica | O banco recusa o pedido quase sempre. | Perigo real de não conseguir pagar as contas a meio do mês. |
Atenção: o banco faz uma conta mais pesada (o teste de stress)
Se fizeste a conta em casa e a tua taxa de esforço deu 36%, podes ficar surpreendido se o banco recusar o crédito. Porque é que isto acontece?
Porque o banco não olha apenas para a prestação que vais pagar no primeiro mês. Se escolheres uma taxa variável (que sobe ou desce com a Euribor), a lei obriga o banco a fazer um teste de stress: o banco finge que a taxa de juro sobe 1,5% e calcula quanto ficarias a pagar nessa situação pior.
Se, com essa prestação mais cara, a tua taxa de esforço passar dos 45%, o banco não te pode emprestar o valor que pediste, porque quer ter a certeza de que não ficas sem casa se os juros subirem no futuro.
A renda da casa conta para a taxa de esforço?
Não. A regra do Banco de Portugal só soma prestações de créditos (casa, carro, crédito pessoal, cartões). A renda que pagas hoje não entra nesta conta.
Se vais deixar de pagar renda quando comprares casa, a prestação nova substitui a renda e o teu orçamento fica parecido. Se vais continuar a pagar renda depois de comprar (por exemplo, compras uma segunda casa mas continuas a viver numa arrendada), o banco pode ter essa despesa em conta quando analisa quanto te sobra por mês, e emprestar-te menos.
Se procuras a taxa de esforço da renda, por exemplo para um apoio ao arrendamento, a conta é a mesma: renda a dividir pelo rendimento líquido, vezes 100.
O que conta (e o que não conta) como rendimento para o banco
Para o banco fazer esta conta, não podes dizer apenas o valor que recebes de boca. O banco só aceita o dinheiro comprovado pelos papéis oficiais:
- Salário com contrato de trabalho efectivo: conta o valor que levas limpo para casa, comprovado pelos recibos de vencimento e pela declaração de IRS. Se recebes subsídio de férias e de Natal (14 meses), o banco soma os 14 meses e divide por 12 para achar a média mensal.
- Rendas de casas que tenhas arrendadas: o banco só aceita contar 70% do valor da renda que recebes (por exemplo, numa renda de 1 000 €, o banco só considera 700 €). Isto acontece porque reserva 30% para pagar o IRS e cobrir meses em que a casa possa ficar vazia ou precisar de arranjos. É preciso ter contrato de arrendamento registado nas Finanças.
- Pensões de reforma: contam a 100%, desde que sejam comprovadas pela Segurança Social ou CGA.
- Recibos verdes e trabalhadores independentes: o banco pede os últimos 2 a 3 anos de IRS e faz uma média dos ganhos, sendo habitualmente mais exigente.
- O que normalmente NÃO conta: horas extraordinárias que não sejam certas todos os meses, prémios ocasionais, ajudas de custo e subsídio de alimentação pago em cartão de refeição (a maioria dos bancos não o soma ao ordenado para esta conta).
O perigo escondido de outros créditos (o carro e os cartões)
Muitas pessoas com bons ordenados não conseguem comprar casa porque têm outros créditos em curso. Antes de aprovar qualquer pedido, o banco vai à Central de Responsabilidades do Banco de Portugal e vê todas as dívidas que tens no teu nome.
Um crédito automóvel onde pagas 250 € por mês parece pequeno, mas num empréstimo da casa a 35 anos, essa prestação de 250 € retira-te cerca de 60 000 € ao valor que o banco te poderia emprestar para a habitação!
E atenção aos cartões de crédito: mesmo que não devas nada e tenhas a conta a zeros, se tiveres na carteira um cartão com limite de 3 000 €, alguns bancos assumem que podes gastar esse dinheiro a qualquer momento e somam uma prestação teórica de cerca de 100 € a 150 € à tua taxa de esforço. Se tens cartões que não usas, cancelá-los antes de pedir crédito para a casa ajuda muito.
Idade e anos de empréstimo: até quando podes pagar?
Quanto mais anos dura o empréstimo, mais baixa fica a prestação mensal e mais baixa é a taxa de esforço. Mas o Banco de Portugal estabelece limites de prazo conforme a idade da pessoa mais velha do contrato:
- Até aos 30 anos: podes pedir até 40 anos de empréstimo
- Entre 30 e 35 anos inclusive: podes pedir até 37 anos de empréstimo
- Mais de 35 anos: o limite máximo são 35 anos de empréstimo
Além disso, quase todos os bancos em Portugal exigem que o empréstimo esteja totalmente pago antes de o titular fazer 70 a 75 anos de idade.
5 Formas simples de baixar a tua taxa de esforço antes de pedir crédito
- Pagar e fechar créditos pequenos: se tens um crédito pessoal pequeno, um telemóvel a prestações ou saldo no cartão, liquida-os primeiro. Isso liberta logo dezenas ou centenas de euros por mês e aumenta bastante a tua margem para a casa.
- Escolher um prazo mais longo: dentro dos limites da tua idade, pedir o crédito a 35 ou 40 anos em vez de 30 anos baixa a mensalidade e melhora logo a taxa de esforço.
- Dar mais dinheiro de entrada: se usares mais poupanças na entrada da casa, precisas de pedir menos dinheiro emprestado ao banco. A prestação mensal fica mais pequena e a taxa desce.
- Juntar um segundo titular ao pedido: pedir o empréstimo a dois (com cônjuge, namorado ou familiar) soma os ordenados dos dois e corta a taxa de esforço quase para metade.
- Renegociar os créditos que já pagas: se já tens créditos com taxas altas, podes tentar baixar o spread com o teu banco ou transferir o empréstimo para outro banco que cobre menos.
O que fazer se a taxa for superior a 45% e já tiveres créditos?
Se já tens créditos a decorrer e sentes que as prestações estão a sufocar o teu orçamento mensal, não esperes até deixar de conseguir pagar. A lei portuguesa protege os clientes através de planos de apoio nos bancos (conhecidos pelas siglas PARI e PERSI).
Logo que percebas que vai ser difícil pagar, deves contactar o banco e pedir uma renegociação: o banco pode aumentar o prazo do crédito para baixar a prestação, conceder uma pausa temporária no pagamento ou ajudar-te a juntar vários créditos num só com uma prestação mais baixa.
Simuladores e guias que te podem ajudar
No Bem Endividado encontras outras ferramentas gratuitas para te ajudar a planear as tuas contas:
- Simulador de Crédito Habitação: calcula quanto vais pagar de prestação da casa, IMT, impostos e custos de escritura
- Simulador de Amortização de Crédito: vê quanto poupas se usares dinheiro extra para abater na dívida do teu empréstimo
- Simulador de Transferência de Crédito: descobre se consegues poupar mudando o teu crédito habitação para outro banco mais barato
- Guia completo sobre a taxa de esforço no crédito habitação: tudo explicado com calma e sem complicações
- Novas regras do crédito habitação em 2026: o que mudou nos bancos e nos limites de idade
- Guia para comprar casa em Portugal em 2026: passo a passo desde a procura até à escritura
Metodologia e fontes oficiais
Os cálculos da taxa de esforço e limites macroprudenciais seguem as orientações oficiais do regulador:
- Comunicado do Banco de Portugal sobre o limite de 45% (Comunicado oficial de 2 de Julho de 2026)
- Portal do Cliente Bancário: avaliação da solvabilidade (Limites à taxa de esforço e ao prazo)
- Portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal (Informação oficial sobre direitos e crédito à habitação)
Metodologia revista e validada pela Equipa editorial do Bem Endividado (sobre o projecto) · Conteúdo actualizado a Outubro de 2026.