A taxa de esforço é, de forma simples, a fatia do teu ordenado que vai directa para pagar empréstimos ao banco todos os meses. É a percentagem do dinheiro que levas limpo para casa que já está comprometida com prestações de crédito.
Por exemplo: se recebes 1 000 € limpos na conta e pagas 350 € de prestações, a tua taxa de esforço é de 35%. Os restantes 650 € são o que te sobra para comida, luz, água, transportes, despesas da família e poupança.
Quando vais pedir dinheiro ao banco (seja para comprar casa, um carro ou fazer um crédito pessoal), a primeira coisa que o banco faz é esta conta. Se a tua taxa de esforço for demasiado alta, o banco recusa logo o pedido, porque tem receio de que fiques sem dinheiro para viver e deixes de conseguir pagar as prestações.
A conta é muito fácil: somas todas as prestações de crédito que pagas num mês, divides pelo total de dinheiro limpo que ganhas, e multiplicas por 100 para ter a percentagem:
Exemplo real: (1 050 € de prestações ÷ 2 800 € limpos) × 100 = 37,5%
Exemplo com números reais: Imagina um casal que recebe 2 800 € limpos por mês na conta (já com os descontos de IRS e Segurança Social feitos). Pagam 750 € de prestação da casa, 200 € do carro e 100 € de um crédito pessoal. No total, pagam 1 050 € por mês aos bancos.
Dividindo 1 050 € por 2 800 €, o resultado é 37,5%. Ficam com 1 750 € livres para todas as outras despesas do mês. Esta taxa de 37,5% é aceite pela maioria dos bancos, mas já começa a ficar perto do limite recomendado.
O Banco de Portugal define as regras para todos os bancos que operam no país. Desde 1 de Agosto de 2026, as regras para quem pede crédito ficaram mais apertadas:
Cada banco tem as suas regras internas, mas a grande maioria olha para a taxa de esforço desta forma:
| Taxa de Esforço | Nível de Risco | No Banco | No Dia-a-Dia |
|---|---|---|---|
| Até 33% | Zona Confortável | Aprova facilmente se o emprego for estável. | Boa folga mensal; sobra dinheiro para poupar e pagar imprevistos. |
| 34% a 40% | Zona de Atenção | A maioria dos bancos aprova, mas pede mais comprovativos. | O orçamento funciona bem, mas imprevistos começam a apertar as contas. |
| 41% a 45% | Zona Limite | Aprovação difícil; o banco costuma exigir fiadores ou mais entrada. | Muito pouco dinheiro livre; qualquer despesa extra causa aperto. |
| Mais de 45% | Zona Crítica | O banco recusa o pedido quase sempre. | Perigo real de não conseguir pagar as contas a meio do mês. |
Se fizeste a conta em casa e a tua taxa de esforço deu 36%, podes ficar surpreendido se o banco recusar o crédito. Porque é que isto acontece?
Porque o banco não olha apenas para a prestação que vais pagar no primeiro mês. Se escolheres uma taxa variável (que sobe ou desce com a Euribor), a lei obriga o banco a fazer um teste de stress: o banco finge que a taxa de juro sobe 1,5% e calcula quanto ficarias a pagar nessa situação pior.
Se, com essa prestação mais cara, a tua taxa de esforço passar dos 45%, o banco não te pode emprestar o valor que pediste, porque quer ter a certeza de que não ficas sem casa se os juros subirem no futuro.
Para o banco fazer esta conta, não podes dizer apenas o valor que recebes de boca. O banco só aceita o dinheiro comprovado pelos papéis oficiais:
Muitas pessoas com bons ordenados não conseguem comprar casa porque têm outros créditos em curso. Antes de aprovar qualquer pedido, o banco vai à Central de Responsabilidades do Banco de Portugal e vê todas as dívidas que tens no teu nome.
Um crédito automóvel onde pagas 250 € por mês parece pequeno, mas num empréstimo da casa a 35 anos, essa prestação de 250 € retira-te cerca de 60 000 € ao valor que o banco te poderia emprestar para a habitação!
E atenção aos cartões de crédito: mesmo que não devas nada e tenhas a conta a zeros, se tiveres na carteira um cartão com limite de 3 000 €, alguns bancos assumem que podes gastar esse dinheiro a qualquer momento e somam uma prestação teórica de cerca de 100 € a 150 € à tua taxa de esforço. Se tens cartões que não usas, cancelá-los antes de pedir crédito para a casa ajuda muito.
Quanto mais anos dura o empréstimo, mais baixa fica a prestação mensal e mais baixa é a taxa de esforço. Mas o Banco de Portugal estabelece limites de prazo conforme a idade da pessoa mais velha do contrato:
Além disso, quase todos os bancos em Portugal exigem que o empréstimo esteja totalmente pago antes de o titular fazer 70 a 75 anos de idade.
Se já tens créditos a decorrer e sentes que as prestações estão a sufocar o teu orçamento mensal, não esperes até deixar de conseguir pagar. A lei portuguesa protege os clientes através de planos de apoio nos bancos (conhecidos pelas siglas PARI e PERSI).
Logo que percebas que vai ser difícil pagar, deves contactar o banco e pedir uma renegociação: o banco pode aumentar o prazo do crédito para baixar a prestação, conceder uma pausa temporária no pagamento ou ajudar-te a juntar vários créditos num só com uma prestação mais baixa.
No Bem Endividado encontras outras ferramentas gratuitas para te ajudar a planear as tuas contas: