O seguro de vida no crédito habitação não é obrigatório por lei e não tem de ser o do banco. A lei deixa-te escolher a seguradora e trocar quando quiseres, e é aí que está a poupança, porque o seguro do balcão costuma ser dos mais caros do mercado. Se já tens crédito, vê quanto podes poupar a transferir o crédito e o seguro.
Para que serve o seguro de vida no crédito habitação?
O seguro de vida existe para proteger a tua família e o banco ao mesmo tempo. Se morreres, ou ficares numa situação de invalidez coberta, o seguro paga o que falta do empréstimo. A casa fica livre de dívida e ninguém a perde.
Por isso é que o banco o pede: é a garantia dele de que o crédito é pago mesmo que te aconteça alguma coisa. Mas é aqui que começa a confusão que interessa desfazer.
O prémio que pagas pelo seguro entra na TAEG do teu crédito, ou seja, no custo total anual. Um seguro caro encarece o crédito todo, não é só uma linha à parte.
O banco não te pode obrigar a fazer o seguro com ele
Esta é a parte que o balcão raramente sublinha. A lei diz que podes contratar o seguro na seguradora da tua preferência, ou dar em garantia um seguro de vida que já tenhas.
O banco só pode exigir uma coisa: as coberturas mínimas. Pode dizer "preciso de morte e invalidez até ao valor da dívida", não pode dizer "tem de ser o meu seguro".
O truque do spread: o desconto que te prende ao seguro caro
O banco costuma oferecer um spread mais baixo se levares o seguro dele. Isto é legal e chama-se venda associada facultativa. O problema é que o seguro do banco costuma ser dos mais caros do mercado.
A pergunta certa é simples: o que poupas no spread é maior ou menor do que pagas a mais no seguro? Muita gente olha só para o desconto e nunca faz esta conta.
Poupança no spread do banco
≈ 17€/mês
A teu favor
Num crédito de 150 000€, um spread 0,20 pontos mais baixo.
Sobrecusto do seguro do banco
≈ 25€/mês
Contra ti
Se o seguro do banco custar cerca do dobro de um equivalente fora.
Saldo no teu bolso
perdes ≈ 8€/mês
Resultado
O desconto no spread não chega para pagar o seguro mais caro.
Valores ilustrativos, só para mostrares a lógica da conta. Os números reais dependem do teu crédito e das propostas que tiveres. Faz sempre a conta com os teus valores.
A lei obriga o banco a dizer-te o custo com e sem o seguro dele, e o impacto de desistires mais tarde. Pede essa informação por escrito antes de assinar.
O que faz variar o preço do seguro?
Não há tabela oficial de preços de seguros de vida, ao contrário do que acontece com impostos. O prémio é calculado caso a caso. Estes são os factores que mais pesam.
- 1Idade: quanto mais velho, mais caro. E na maioria das apólices o prémio sobe todos os anos, mesmo com a dívida a descer.
- 2Capital seguro: quanto maior o valor coberto, maior o prémio. Por lei, o capital deve acompanhar a dívida e ir descendo com ela.
- 3Saúde: respondes a um questionário de saúde. Certas condições sobem o preço ou obrigam a exames.
- 4Coberturas: além da morte, podes ter invalidez. A cobertura mais ampla (invalidez por doença ou acidente) custa cerca de 3% a 5% mais do que a versão mais limitada.
Uma armadilha comum é o capital constante. Nesse caso continuas a segurar o valor inicial mesmo quando já deves muito menos, e pagas por uma protecção que já não precisas.
Estimativa ilustrativa para um casal com um capital em dívida à volta de 150 000€, capital decrescente. Serve para dares ordem de grandeza, não é uma cotação. Os teus valores podem ser bem diferentes.
| Idade do casal | Seguro no banco | Seguro fora do banco |
|---|---|---|
| 30 anos | ≈ 350€/ano | ≈ 180€/ano |
| 40 anos | ≈ 550€/ano | ≈ 300€/ano |
| 50 anos | ≈ 950€/ano | ≈ 600€/ano |
Repara no padrão: o valor sobe com a idade e, mesmo assim, o seguro de fora tende a ficar bastante mais barato ao longo do crédito.
Já pagas um seguro caro ao banco? Vê num minuto quanto poupas a transferir o crédito e o seguro.
Ver quanto poupoComo poupar sem perder cobertura?
Poupar aqui não é ficar com menos protecção. É pagar o preço certo pela mesma cobertura. O caminho é este.
- 1Pede a lista de coberturas mínimas ao banco. É o que tens de igualar, nada mais.
- 2Pede propostas a seguradoras fora do banco com essas mesmas coberturas. Compara em condições iguais.
- 3Escolhe capital decrescente, que acompanha a dívida. Evita pagar por capital que já não deves.
- 4Compara o custo ao longo de todo o crédito, não só o primeiro ano. Um seguro barato ao início pode disparar com a idade.
- 5Confirma por escrito o impacto no spread se não levares o seguro do banco. Só assim fazes a conta a sério.
Preferes que alguém faça isto por ti? Um intermediário de crédito autorizado pelo Banco de Portugal pode ajudar-te a comparar o seguro de vida e a mudar de seguradora.
Simular e falar com especialistaPasso a passo para trocar de seguradora
Não estás preso ao seguro que assinaste. A lei deixa-te substituir o seguro durante toda a vida do crédito, sem teres de mexer no empréstimo.
- 1Contrata uma apólice nova com coberturas equivalentes às exigidas.
- 2Comunica ao banco que vais dar essa apólice em garantia.
- 3O banco confirma a equivalência das coberturas e passa a aceitar o novo seguro.
- 4Confirma se perdes alguma bonificação de spread e refaz a conta antes de avançar.
Quem faz uma transferência de crédito habitação para outro banco costuma aproveitar para rever também o seguro. São duas poupanças que costumam andar juntas.
E o seguro multirriscos?
O seguro de vida protege a dívida. O seguro multirriscos protege a casa em si, contra incêndio, inundação e outros danos no imóvel. São seguros diferentes, mas o banco costuma pedir os dois.
A boa notícia é que a mesma regra se aplica: também podes escolher o multirriscos fora do banco e trocar quando quiseres. É mais um dos custos de comprar casa onde há margem para poupar sem perder protecção.
Os pontos que o banco não costuma dizer
Se guardares só uma coisa deste artigo, guarda esta lista. É o que fica de fora da conversa no balcão.
Os pontos que raramente te contam
Não é obrigatório por lei. Não tem de ser o seguro do banco. Podes trocar a qualquer momento. O prémio costuma subir com a idade. O capital decrescente é mais barato. E podes dar em garantia um seguro que já tens.
Nenhum destes pontos é segredo. Estão na lei. Só não costumam ser ditos em voz alta.
Há ainda um efeito que se sente todos os meses: o prémio do seguro faz parte do que pagas ao banco e conta para a tua taxa de esforço. Um seguro mais barato alivia o orçamento mês após mês.
Achas que isto pode ajudar alguém?
Perguntas frequentes
Não. Nenhuma lei te obriga a ter seguro de vida. O que acontece é que o banco o exige como condição para conceder o crédito, para garantir que o empréstimo é pago se te acontecer alguma coisa.
Não. Tens direito a contratar o seguro na seguradora que quiseres, ou a dar em garantia um seguro de vida que já tenhas. O banco só pode definir as coberturas mínimas, não a seguradora.
Sim. Podes substituir o seguro durante toda a vida do crédito, sem mexer no empréstimo. Basta contratar uma apólice com coberturas equivalentes e comunicá-la ao banco, que a passa a aceitar.
Podes perder a bonificação que o banco dá por levares o seguro dele. Antes de trocar, faz a conta: muitas vezes o que se poupa num seguro mais barato compensa o desconto perdido no spread. O banco é obrigado a informar-te esse impacto.
O capital decrescente é mais barato ao longo do crédito, porque acompanha a dívida e vai descendo com ela. A lei até determina que o capital seguro deve acompanhar o montante em dívida. Com capital constante pagas por uma protecção que já não precisas.