O seguro de vida no crédito habitação não é obrigatório por lei e não tem de ser o do banco. A lei deixa-te escolher a seguradora e trocar quando quiseres, e é aí que está a poupança, porque o seguro do balcão costuma ser dos mais caros do mercado. Se já tens crédito, vê quanto podes poupar a transferir o crédito e o seguro.

Para que serve o seguro de vida no crédito habitação?

O seguro de vida existe para proteger a tua família e o banco ao mesmo tempo. Se morreres, ou ficares numa situação de invalidez coberta, o seguro paga o que falta do empréstimo. A casa fica livre de dívida e ninguém a perde.

Por isso é que o banco o pede: é a garantia dele de que o crédito é pago mesmo que te aconteça alguma coisa. Mas é aqui que começa a confusão que interessa desfazer.

Atenção: o seguro de vida não é obrigatório por lei. É o banco que o exige como condição para dar o crédito. A lei só entra para te proteger na forma como esse seguro é vendido.

O prémio que pagas pelo seguro entra na TAEG do teu crédito, ou seja, no custo total anual. Um seguro caro encarece o crédito todo, não é só uma linha à parte.

O banco não te pode obrigar a fazer o seguro com ele

Esta é a parte que o balcão raramente sublinha. A lei diz que podes contratar o seguro na seguradora da tua preferência, ou dar em garantia um seguro de vida que já tenhas.

O banco só pode exigir uma coisa: as coberturas mínimas. Pode dizer "preciso de morte e invalidez até ao valor da dívida", não pode dizer "tem de ser o meu seguro".

Boa notícia: escolher o seguro fora do banco é um direito teu, previsto na lei desde 2009. Não precisas de justificação nenhuma.

O truque do spread: o desconto que te prende ao seguro caro

O banco costuma oferecer um spread mais baixo se levares o seguro dele. Isto é legal e chama-se venda associada facultativa. O problema é que o seguro do banco costuma ser dos mais caros do mercado.

A pergunta certa é simples: o que poupas no spread é maior ou menor do que pagas a mais no seguro? Muita gente olha só para o desconto e nunca faz esta conta.

Poupança no spread do banco

≈ 17€/mês

A teu favor

Num crédito de 150 000€, um spread 0,20 pontos mais baixo.

Sobrecusto do seguro do banco

≈ 25€/mês

Contra ti

Se o seguro do banco custar cerca do dobro de um equivalente fora.

Saldo no teu bolso

perdes ≈ 8€/mês

Resultado

O desconto no spread não chega para pagar o seguro mais caro.

Valores ilustrativos, só para mostrares a lógica da conta. Os números reais dependem do teu crédito e das propostas que tiveres. Faz sempre a conta com os teus valores.

A lei obriga o banco a dizer-te o custo com e sem o seguro dele, e o impacto de desistires mais tarde. Pede essa informação por escrito antes de assinar.

O que faz variar o preço do seguro?

Não há tabela oficial de preços de seguros de vida, ao contrário do que acontece com impostos. O prémio é calculado caso a caso. Estes são os factores que mais pesam.

Uma armadilha comum é o capital constante. Nesse caso continuas a segurar o valor inicial mesmo quando já deves muito menos, e pagas por uma protecção que já não precisas.

Estimativa ilustrativa para um casal com um capital em dívida à volta de 150 000€, capital decrescente. Serve para dares ordem de grandeza, não é uma cotação. Os teus valores podem ser bem diferentes.

Idade do casalSeguro no bancoSeguro fora do banco
30 anos≈ 350€/ano≈ 180€/ano
40 anos≈ 550€/ano≈ 300€/ano
50 anos≈ 950€/ano≈ 600€/ano

Repara no padrão: o valor sobe com a idade e, mesmo assim, o seguro de fora tende a ficar bastante mais barato ao longo do crédito.

Já pagas um seguro caro ao banco? Vê num minuto quanto poupas a transferir o crédito e o seguro.

Ver quanto poupo

Como poupar sem perder cobertura?

Poupar aqui não é ficar com menos protecção. É pagar o preço certo pela mesma cobertura. O caminho é este.

Preferes que alguém faça isto por ti? Um intermediário de crédito autorizado pelo Banco de Portugal pode ajudar-te a comparar o seguro de vida e a mudar de seguradora.

Simular e falar com especialista

Passo a passo para trocar de seguradora

Não estás preso ao seguro que assinaste. A lei deixa-te substituir o seguro durante toda a vida do crédito, sem teres de mexer no empréstimo.

Quem faz uma transferência de crédito habitação para outro banco costuma aproveitar para rever também o seguro. São duas poupanças que costumam andar juntas.

E o seguro multirriscos?

O seguro de vida protege a dívida. O seguro multirriscos protege a casa em si, contra incêndio, inundação e outros danos no imóvel. São seguros diferentes, mas o banco costuma pedir os dois.

A boa notícia é que a mesma regra se aplica: também podes escolher o multirriscos fora do banco e trocar quando quiseres. É mais um dos custos de comprar casa onde há margem para poupar sem perder protecção.

Os pontos que o banco não costuma dizer

Se guardares só uma coisa deste artigo, guarda esta lista. É o que fica de fora da conversa no balcão.

Os pontos que raramente te contam

Não é obrigatório por lei. Não tem de ser o seguro do banco. Podes trocar a qualquer momento. O prémio costuma subir com a idade. O capital decrescente é mais barato. E podes dar em garantia um seguro que já tens.

Nenhum destes pontos é segredo. Estão na lei. Só não costumam ser ditos em voz alta.

Há ainda um efeito que se sente todos os meses: o prémio do seguro faz parte do que pagas ao banco e conta para a tua taxa de esforço. Um seguro mais barato alivia o orçamento mês após mês.

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Perguntas frequentes

O seguro de vida é obrigatório por lei?

Não. Nenhuma lei te obriga a ter seguro de vida. O que acontece é que o banco o exige como condição para conceder o crédito, para garantir que o empréstimo é pago se te acontecer alguma coisa.

O banco pode obrigar-me a fazer o seguro com ele?

Não. Tens direito a contratar o seguro na seguradora que quiseres, ou a dar em garantia um seguro de vida que já tenhas. O banco só pode definir as coberturas mínimas, não a seguradora.

Posso trocar de seguradora depois de assinar o crédito?

Sim. Podes substituir o seguro durante toda a vida do crédito, sem mexer no empréstimo. Basta contratar uma apólice com coberturas equivalentes e comunicá-la ao banco, que a passa a aceitar.

Perco o desconto no spread se trocar de seguro?

Podes perder a bonificação que o banco dá por levares o seguro dele. Antes de trocar, faz a conta: muitas vezes o que se poupa num seguro mais barato compensa o desconto perdido no spread. O banco é obrigado a informar-te esse impacto.

Capital constante ou decrescente, qual é mais barato?

O capital decrescente é mais barato ao longo do crédito, porque acompanha a dívida e vai descendo com ela. A lei até determina que o capital seguro deve acompanhar o montante em dívida. Com capital constante pagas por uma protecção que já não precisas.