Resposta directa: no crédito para segunda habitação (casa de férias ou de investimento), o banco financia no máximo 80%, por isso precisas de 20% de entrada, mais IMT e Imposto do Selo. Numa casa de 300 000€ são cerca de 77 400€ até à escritura. A prestação nova soma-se à que já pagas e o total não deve passar de 45% do teu rendimento. Faz as contas no simulador de crédito habitação, em "2.ª Habitação".
O que conta como segunda habitação para o banco
Para o banco, a casa é tua habitação própria e permanente se for lá que tu e a tua família vivem de forma estável. Tudo o resto conta como outra finalidade: a casa de férias na praia, o apartamento para arrendar, a casa onde um filho vai estudar.
O que decide as regras é a finalidade que declaras no pedido de crédito, não o número de casas que tens. Se vais morar na casa nova e arrendar a que tens hoje, a casa nova é habitação própria e as contas são outras: lê como comprar uma segunda casa sem vender a primeira. Este artigo trata só da casa que não é para morar.
Quanto financia o banco: 80%, não 90%
A Recomendação do Banco de Portugal fixa dois limites de financiamento, conforme a finalidade:
| Finalidade do crédito | Financiamento máximo | Entrada mínima |
|---|---|---|
| Habitação própria e permanente | 90% | 10% |
| Férias, investimento ou outra | 80% | 20% |
Os 80% contam sobre o valor mais baixo entre o preço de compra e a avaliação do banco. Numa casa de 300 000€, o banco empresta no máximo 240 000€.
O prazo também pesa. Desde 1 de Agosto de 2026, o prazo máximo é de 40 anos até aos 35 anos de idade e de 35 anos a partir daí. Quem compra uma segunda habitação já passou, quase sempre, dos 35.
Quanto precisas de ter: entrada, IMT e Imposto do Selo
A entrada duplica e o IMT sobe, porque a segunda habitação usa uma tabela sem isenção e com parcelas a abater mais baixas. Aqui fica a mesma casa de 300 000€ com as duas finalidades:
| O que pagas | Para morar | Férias ou investimento |
|---|---|---|
| Crédito máximo | 270 000€ (90%) | 240 000€ (80%) |
| Entrada | 30 000€ | 60 000€ |
| IMT | 10 542€ | 11 606€ |
| Imposto do Selo da compra (0,8%) | 2 400€ | 2 400€ |
| Imposto do Selo do crédito (0,6%) | 1 620€ | 1 440€ |
| Escritura e registo (estimativa) | ~2 000€ | ~2 000€ |
| Total até à escritura | ~46 600€ | ~77 400€ |
São cerca de 30 900€ a mais na mesma casa. Quase tudo vem da entrada: o IMT só pesa mais 1 063€. Para outros valores, vê a tabela completa de IMT da segunda habitação.
Põe o preço da casa que estás a ver e confirma quanto precisas de ter até à escritura.
Simular a segunda habitaçãoNão tens os 20%? A casa onde vives pode servir de garantia
Se a casa onde vives já está paga, ou quase, o banco pode aceitá-la como garantia de um segundo empréstimo que cubra parte da entrada. O limite conta casa a casa: tudo o que deves com a casa onde vives como garantia não pode passar de 80% do valor de avaliação dela. Numa casa avaliada em 250 000€, com 50 000€ ainda em dívida, ficam até 150 000€.
Não torna a compra mais barata. É mais um empréstimo, com prestação própria, que entra na mesma taxa de esforço. E se falhares os pagamentos, é a casa onde vives que está em jogo. As condições variam de banco para banco.
A prestação nova soma-se à que já tens
O banco soma a prestação nova a todas as que já pagas: o crédito da casa onde vives, o carro, o crédito pessoal. O total não deve passar de 45% do rendimento líquido, o limite do Banco de Portugal desde 1 de Agosto de 2026.
Há um segundo filtro. Num crédito a taxa variável ou mista com prazo acima de 10 anos, o banco calcula a prestação nova com a taxa mais 1,5 pontos. Nos 240 000€ a 35 anos, a prestação real a 3,5% é de 992€, mas o banco faz as contas com 1 211€.
Três famílias que já pagam 600€ por mês pela casa onde vivem e querem esta segunda habitação:
Rendimento de 5 000€ líquidos
36%
Cabe
600€ + 1 211€ testados. Na vida real, 32%.
Rendimento de 4 100€ líquidos
44%
No limite
Passa por pouco. Um crédito do carro de 150€ já o põe nos 48%.
Rendimento de 3 600€ líquidos
50%
Não passa
Na vida real paga 44%, mas o teste dá acima de 45%.
O terceiro caso é o que mais surpreende: a prestação real cabia, mas o teste de subida da taxa não. O banco ainda pode abrir uma excepção, só que essas estão limitadas a 10% do crédito que concede em cada semestre. Para perceberes como o banco faz esta conta, lê o guia sobre a taxa de esforço no crédito habitação.
Junta a prestação que já pagas e vê se a segunda habitação cabe no limite do banco.
Ver se o banco aprovaO que não tens numa segunda habitação
Os apoios do Estado à compra de casa são para a casa onde vais morar:
- 1Garantia Pública: serve para jovens até aos 35 anos comprarem a primeira casa para morar. Numa casa de férias ou de investimento não se aplica, tenhas a idade que tiveres.
- 2IMT Jovem: a isenção também é só para a primeira habitação própria e permanente. Na segunda habitação pagas IMT desde o primeiro euro, com taxa de 1% no escalão mais baixo.
- 3Isenção de IMI: a isenção temporária para quem compra casa para morar também fica de fora. Na segunda habitação pagas IMI desde o primeiro ano.
Não declares habitação própria se não vais morar lá
A tentação existe: declarar a casa de férias como habitação própria para conseguir 90% de financiamento e pagar menos IMT. Sai caro.
O Código do IMT exige que a casa passe a ser a tua morada no prazo de 6 meses e que o continue a ser durante 6 anos. Se não for, perdes o benefício e a Autoridade Tributária cobra a diferença, com juros. Perante o banco, é declarar no pedido de crédito uma finalidade que não é verdadeira.
E a poupança é pequena. Na casa de 300 000€, a diferença de IMT é de 1 063€.
Custos de ter duas casas
Depois da escritura, a segunda habitação tem custos todos os meses, esteja ocupada ou vazia:
O que passas a pagar a dobrar
IMI, condomínio, seguro do imóvel exigido pelo banco, seguro de vida do novo crédito, água, luz e manutenção.
Numa casa de férias usada poucas semanas por ano, estes custos correm os 12 meses. Soma-os à prestação antes de decidir.
Achas que isto pode ajudar alguém?
Perguntas frequentes
A entrada mínima é de 20% do valor da casa, porque o Banco de Portugal limita o financiamento a 80% quando a casa não é habitação própria e permanente. Numa casa de 300 000€ são 60 000€, mais IMT, Imposto do Selo e escritura.
Pagas 11 606€ de IMT em Portugal Continental, em 2026. Se fosse para morar, pagavas 10 542€. A isto somam-se 2 400€ de Imposto do Selo da compra.
Não. Os dois apoios só existem para a primeira habitação própria e permanente. Numa casa de férias ou de investimento pagas IMT pela tabela da segunda habitação e o banco financia no máximo 80%.
Sim. O banco soma todas as prestações que já pagas à prestação nova, e o total não deve passar de 45% do rendimento líquido. A prestação nova é testada com a taxa mais 1,5 pontos nos créditos a taxa variável ou mista com prazo acima de 10 anos.
Podes dá-la como garantia de um segundo empréstimo, se o banco aceitar. Tudo o que deves com essa casa como garantia não pode passar de 80% do valor de avaliação dela, e a prestação desse empréstimo conta na taxa de esforço de 45%.
Não compensa. A casa tem de passar a ser a tua morada em 6 meses e continuar a sê-lo durante 6 anos. Se não for, a Autoridade Tributária cobra a diferença de IMT com juros. Numa casa de 300 000€, a poupança seria de apenas 1 063€.
Sim. Para o banco, as duas são crédito para outra finalidade que não a habitação própria e permanente: financiamento máximo de 80%, IMT da segunda habitação e o mesmo limite de 45% na taxa de esforço.