A Garantia Pública para comprar casa sem entrada termina a 31 de Dezembro de 2026, mas o prazo real é muito anterior. Um processo de crédito habitação demora entre 60 e 90 dias da pré-aprovação à escritura. Quem ainda não começou em Setembro ou Outubro arrisca não fechar a tempo e ter de pagar 10% a 15% de entrada em 2027.

Usa o simulador de crédito habitação para calcular o financiamento e a prestação esperada antes de ir a um banco.

O que é a Garantia Pública e o que muda sem ela?

A Garantia Pública é um aval do Estado que permite a jovens até 35 anos financiar 100% do valor da primeira habitação própria permanente. O Estado garante os 15% que a banca não cobre a título normal, por isso entras na escritura sem entrada própria. O artigo Garantia Pública 2026: tudo o que precisas de saber explica as condições em detalhe.

Quando a Garantia Pública acabar, volta a vigorar a regra geral: a banca financia no máximo 90% do valor da avaliação ou do preço de compra, o que for menor. Os restantes 10% tens de pagar do teu bolso, antes da escritura.

Qual é o prazo real para usar a Garantia Pública?

A lei fixa a data limite da escritura em 31 de Dezembro de 2026. Parece que ainda há tempo. Mas um processo de crédito habitação, desde o pedido de pré-aprovação até à escritura, demora entre 60 e 90 dias em condições normais.

Estamos em Setembro de 2026. Se o processo demorar 90 dias, tens de o iniciar antes de meados de Outubro para fechar a escritura antes do fim do ano. Com 60 dias, tens até ao início de Novembro. Mas sem margem para qualquer atraso.

Esta é a sequência típica do processo:

Cada passo pode atrasar por razões fora do teu controlo: documentação em falta, agenda do avaliador, carga do banco. Quem iniciar já em Setembro tem margem. Quem adiar para Novembro arrisca não fechar a tempo.

Quanto custa comprar casa sem Garantia Pública?

A diferença entre ter e não ter Garantia Pública não está na prestação mensal. Está no dinheiro que precisas de ter poupado antes da escritura. Sem GP, a banca financia no máximo 90% do valor da casa. Os restantes 10% tens de pagar do teu bolso.

Casa de 150 000 €

15 000 €

entrada mínima sem GP

Com Garantia Pública: 0 € de entrada. Apenas custos de transacção (IS, escritura, registo).

Casa de 250 000 €

25 000 €

entrada mínima sem GP

Com Garantia Pública: 0 € de entrada. Os custos de transacção ficam em regra abaixo de 5 000 €.

Casa de 350 000 €

35 000 €

entrada mínima sem GP

Com Garantia Pública: 0 € de entrada. Acrescem os custos de transacção (IS sobre crédito e compra, escritura, registo).

A estes valores somam-se sempre os custos de transacção: Imposto de Selo sobre o crédito (0,6%), Imposto de Selo sobre a compra (0,8%), escritura, registo e outros encargos. Em regra totalizam entre 3 000 € e 6 000 € consoante o valor da casa e o banco. O IMT pode ser 0% para jovens que beneficiem do IMT Jovem, mas essa isenção existe independentemente da Garantia Pública.

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Como aproveitar a Garantia Pública antes que feche?

O processo tem de correr pela ordem certa. Ir à procura de casa antes de ter pré-aprovação do banco é um erro comum: se encontras a casa ideal mas o banco não aprova o valor, perdes o sinal e o tempo.

Começa pela simulação. Saber o que o banco pode aprovar poupa tempo e evita surpresas.

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O que muda em Janeiro de 2027 sem Garantia Pública?

Se não fechares a escritura até 31 de Dezembro de 2026, perdes o acesso à Garantia Pública. A partir daí, a banca aplica as regras macroprudenciais em vigor: financiamento máximo de 90% do valor da avaliação ou do preço de compra, o que for menor.

Para uma casa de 250 000 €, isso significa ter 25 000 € de entrada, mais os custos de transacção. O artigo Quanto de entrada preciso para comprar casa? explica como calcular o valor exacto e o que deves contar nas poupanças.

O IMT Jovem continua. A isenção de IMT para jovens até 35 anos na compra da primeira habitação não tem data de fim. Mesmo que a Garantia Pública acabe, este benefício mantém-se. O artigo Garantia Pública acaba: e o IMT Jovem? detalha as diferenças entre os dois apoios.

Quanto à renovação: até hoje, não há qualquer decisão oficial de prolongar o programa para além de Dezembro de 2026. O governo pode alterar a lei, mas planear uma compra com base numa renovação que pode não acontecer é um risco desnecessário.

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Perguntas frequentes

A Garantia Pública vai ser renovada depois de 2026?

Não há, até hoje, qualquer decisão oficial de prolongar o programa para além de 31 de Dezembro de 2026. O Decreto-Lei n.º 44/2024 prevê esse fim. O governo pode alterar a lei, mas planear uma compra com base numa renovação que pode não acontecer é um risco desnecessário. O mais seguro é agir com base no que a lei diz.

Se já tenho pré-aprovação, o prazo de Dezembro aplica-se na mesma?

Sim. O que conta é a data de assinatura do contrato de crédito, que ocorre na escritura. A pré-aprovação confirma que o banco está disposto a financiar, mas não garante o cumprimento do prazo de 31 de Dezembro. Ainda falta a avaliação do imóvel, a aprovação formal e a marcação da escritura.

Quanto tempo demora o processo de crédito habitação?

Em média entre 60 e 90 dias, da pré-aprovação até à escritura. Em períodos de maior procura o processo pode demorar mais. Por isso, iniciar o processo com margem é a única forma de garantir que fechas dentro do prazo.

Sem Garantia Pública, de quanto preciso de entrada?

O mínimo é 10% do valor da casa, mais os custos de transacção (Imposto de Selo sobre o crédito e sobre a compra, escritura e registo), que somam em regra entre 3 000 € e 6 000 € consoante o valor. Para uma casa de 250 000 €, isso representa cerca de 28 000 € a 31 000 € de capital próprio. O artigo Quanto de entrada preciso? detalha o cálculo.

Posso usar o IMT Jovem mesmo depois de a Garantia Pública acabar?

Sim. O IMT Jovem, a isenção de IMT para jovens até 35 anos na compra da primeira habitação própria permanente, não tem data de fim definida. É um benefício independente da Garantia Pública e mantém-se mesmo que o programa de garantia termine.